Rio de Janeiro, 23 de Setembro de 2026

Inflação, Fed e leilões sacodem final de semestre

Segunda, 28 de Junho de 2004 às 07:09, por: CdB

O mercado vai mergulhar em inflação na semana de estréia do segundo semestre. Na quarta-feira, o Conselho Monetário Nacional (CMN) define a meta de inflação para 2006 e o Banco Central (BC) divulga o Relatório de Inflação trimestral, onde estampa projeções para o índice (IPCA) que orienta a política monetária.

A decisão do CMN, que não está impedido de rever a meta de inflação de 2004 e 2005, é variável determinante na construção da estrutura a termo de juros do país. E os juros de longo prazo podem sofrer rebalanceamento, dependendo da inflação tolerada pelo governo.

Na cola dos juros privados estarão as perspectivas de remuneração dos títulos federais - sobretudo as prefixadas Letras do Tesouro Nacional (LTN) que voltaram a ser oferecidas em leilões há duas semanas.

A remuneração esperada para a dívida mobiliária afeta a conta de juros. Por tabela, o nível do endividamento público e metas de superávit primário.

O superávit do setor público consolidado em maio foi recorde para o mês e levou o Brasil a cumprir com antecedência a meta estabelecida no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para o primeiro semestre, relata a repórter Daniela Machado.

Esse desempenho confortável não significa, porém, que o governo correrá o risco de relaxar a política fiscal porque a exuberância dessa conta é importante indicador de solvência do país para investidores internacionais - principalmente ante um estoque de dívida mobiliária que já encosta em R$ 800 bilhões e segue abraçada a uma estupenda taxa de juro.

Fed em ação

A indexação da dívida interna impede que mercado, Banco Central e Tesouro descuidem do juro que corrige quase 60% do estoque da dívida mobiliária.

Mas o assunto ganha destaque nesta virada de semestre que será arrematada, possivelmente, pelo primeiro movimento do Federal Reserve em direção a um esperado aperto monetário nos Estados Unidos.

Na quarta-feira, segundo e último dia da reunião do Comitê de Mercado Aberto do Fed, o aumento do juro americano deve ser confirmado.

Pesquisa Reuters indica: o elenco de 21 dealers primários dos EUA projeta aumento do juro em 0,25 ponto percentual agora em junho e 20 dos 21 apostam em mais 0,25 ponto em agosto. A taxa está estacionada em 1,0%.

Bancos na defensiva

O mercado doméstico estará compulsoriamente atrelado, portanto, ao mercado internacional nesta semana.

Mas a elevação do juro americano não implica ajustes instantâneos de ativos financeiros que já passaram por fortes correções no primeiro semestre - período em que a economia americana continuou esbanjando vitalidade.

Apesar da revisão para baixo da expansão do PIB americano no primeiro trimestre, alguns dos principais indicadores de junho --divulgados nesta sexta-- reafirmam animada atividade.

E esta sinalização, sim, convida o mercado doméstico a reduzir posições de risco e a ampliar a defesa contra um Fed mais agressivo e uma remuneração mais competitiva no fluxo internacional de capitais.

Essa é uma das justificativas para a alta das projeções de juros no Brasil nesta virada de semestre. E o sinal mais evidente da cautela dos bancos é o descompasso entre a expectativa de estabilidade da Selic nos atuais 16 por cento pelo menos até setembro e a estimativa de aumento da Selic no pregão da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).

Enxurrada de reais

Adequando a rotina a uma agenda quente, de inflação doméstica e juro internacional em pauta, o Tesouro adiou os leilões de LTN e LFT de terça para a quarta-feira. O empurrão, que leva os leilões para o dia mais movimentado da semana pode se mostrar duplamente oportuno.

Primeiro, porque (a princípio) ao partirem para os leilões, os bancos já terão acesso às informações do CMN, do Relatório de Inflação e às reações internacionais à decisão do Fed que deve sair no início d

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