Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Inflação fecha dentro da meta mas acima do esperado por economistas do BC

Sexta, 10 de Janeiro de 2014 às 10:52, por: CdB
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Tombini sinaliza que a política de juros altos continuará enquanto durar a pressão inflacionária

Presidente do Banco Central, Alexandre Tombini afirmou, nesta sexta-feira, que a inflação medida pelo IPCA em 2013 mostrou resistência "ligeiramente acima" do esperado, mas ressaltou que o indicador fechou dentro da meta. O IPCA fechou 2013 com alta de 5,91%, acima do esperado e do valor registrado no ano anterior, frustrando o objetivo final do governo.

"A inflação ao consumidor medida pelo IPCA encerrou 2013 em 5,9% (5,91%), mostrando resistência ligeiramente acima daquela que se antecipava", afirmou Tombini em nota. Segundo afirmou, isso ocorreu, "em grande medida", devido à depreciação cambial, aos custos originados no mercado de trabalho e às recentes pressões no setor de transportes.

Meta frustrada

Pressionado por preços de alimentos, o IPCA encerrou 2013 dentro da meta oficial mas acima do resultado do ano anterior. Só em dezembro, o IPCA subiu 0,92%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, maior resultado mensal desde abril de 2003 (0,97%). Com isso, 2013 marcou o quarto ano seguido em que a inflação brasileira fica próxima ou acima de 6%. Em 2010, a inflação medida pelo IPCA ficou em 5,91%, indo a 6,50% em 2011 e a 5,84% em 2012. A meta do governo é de 4,5%, com tolerância de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Os resultados ficaram acima da expectativa em pesquisa da Reuters, cuja mediana apontava alta mensal de 0,82% em dezembro e de 5,82% no ano passado. De acordo com o IBGE, em 2013 o principal impacto veio de Alimentação e Bebidas, com alta acumulada de 8,48%. Mesmo tendo desacelerado ante 2012 (quando subiu 9,86%), o grupo sozinho teve um impacto de mais de um terço sobre toda a alta do IPCA no ano passado, mais exatamente 2,03 pontos percentuais.

O resultado do IPCA no ano só não foi pior porque, em janeiro, o governo promoveu forte redução no valor das tarifas de energia elétrica e, em meados do ano, o aumento dos preços do transporte público foi revogado em várias capitais após intensas manifestações populares. Os preços de energia elétrica residencial fecharam o ano passado com queda média de 15,66%, tendo impacto de -0,52 ponto percentual no IPCA, segundo o IBGE.

Já Transportes, apesar da revogação da alta das tarifas, ainda subiu 3,29% no ano, ante 0,48% em 2012, com impacto de 0,64 ponto percentual no IPCA fechado em 2013. Isso apesar de os ônibus urbanos terem chegado ao final de 2013 com variação positiva de apenas 0,02%. Os custos dos serviços mantiveram-se em níveis altos em 2013, com alta de 8,75% ante 8,74% no ano anterior e, segundo analistas, essa tendência não deve se enfraquecer em 2014.

Na variação mensal, segundo o IBGE, o maior destaque do IPCA em dezembro coube ao grupo Transportes, com alta de 1,85%, ante 0,36% em novembro, em boa parte devido ao reajuste da gasolina --sozinha teve impacto de 0,15 ponto percentual no índice. Passagens aéreas tiveram impacto de 0,12 ponto. Em dezembro, o índice de difusão do IPCA também aumentou, para 69,3%, ante 68,2% em novembro, segundo cálculos do Banco Fator.

Arrocho monetário

Sem conseguir colocar a inflação na trajetória para o centro da meta, o governo acabou assumindo o discurso de que entregaria o IPCA do ano passado abaixo do visto em 2012. Em agosto passado, por exemplo, o próprio presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, chegou a afirmar que esse era o objetivo. Para tanto, em abril o BC deu início ao ciclo de aperto monetário que não terminou ainda e tirou a Selic da mínima histórica de 7,25% para o atual patamar de 10%. Mas com o resultado divulgado nesta sexta-feira, a pressão sobre o BC deve aumentar.

– O IPCA atropelou a política monetária, e colocou o Copom e o BC com as calças nas mãos. Se não fosse a alta de juros, provavelmente a inflação teria estourado o teto da meta – avaliou o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, para quem a Selic terá mais duas altas de 0,5 ponto percentual.

Na próxima semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC fará sua primeira reunião de 2014 e as estimativas na pesquisa Focus do BC são de que haverá alta de 0,25 ponto.

– Fica uma situação difícil para o Banco Central. Esses 5,91% (do IPCA) ficaram bastante acima do que foi em 2012, no momento em que o BC parece ter decidido reduzir o ritmo (de aumento) da Selic – disse o economista da Rosenberg & Associados Fernando Parmagnani, acrescentando que o ciclo de aumentos pode ser mais longo, com três movimentos de 0,25 ponto.

Em reação ao resultado do IPCA, os contratos futuros de juros subiam nesta manhã, com as apostas também indicando a possibilidade de o ciclo de aperto monetário ser maior.

 
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