O ministro da Fazenda, Guido Mantega, considera que o aumento na cesta básica de 16 estados acende a luz amarela para o risco de alta da inflação. Mas considera que o governo está acompanhando e tem instrumentos para evitar uma elevação acima da meta de 4,5% para este ano. O dado foi divulgado pelo Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Falando a jornalistas na entrada do Ministério da Fazenda, Mantega disse que os preços dos alimentos, especialmente leite e carne, estão subindo por causa da entressafra e da diminuição desses produtos no mercado internacional.
— Esses preços devem ser observados. Mas até agora, sinal amarelo apenas —, disse.
Mantega voltou a dizer que determinou à Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) que acompanhe mais atentamente os preços no setor de alimentos e que até, agora "não tem nenhum desespero". Se for necessário, disse, o governo pode lançar mão da redução de impostos para que os produtos entrem no país a preços mais baixos.
— Se o preço interno sobe mais que o preço internacional, a gente pode reduzir tarifa de importação, mas se o preço internacional subir tanto quanto o interno a redução não adianta em nada —, afirmou.
Ele também voltou a lembrar que a queda nos preços administrados, como energia elétrica, vai equilibrar a inflação. Para Mantega, há ainda uma folga porque a inflação estava em um patamar bastante inferior ao centro da meta, em torno de 1,5 ponto percentual.
— Uma aproximação do centro não chega a ser algo trágico —, disse.
Mantega fez questão de frisar que as suas ponderações nada têm a ver com a decisão a ser tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), em relação à taxa básica de juros (Selic). A trajetória da inflação é sempre o principal item a ser analisado pelo Copom ao decidir sobre a elevação ou redução da Selic, hoje em 11,5% ao ano.
— Estou fazendo uma analise para efeito de verificar qual é a tendência da economia, qual a tendencia da inflação —, comentou ao afirmar que não acomanha as discussões no Copom.
— Estou aguardando as decisões do Copom e as suas conclusões que estarão impressas na ata —, disse, referindo-se ao documento, a ser publicado na quinta-feira da próxima semana, com as explicações da diretoria do Banco Central para justificar as suas decisões.
Inflação está sob controle, apesar de "sinal amarelo", avalia ministro
Terça, 04 de Setembro de 2007 às 18:55, por: CdB