Rio de Janeiro, 19 de Setembro de 2026

Inflação em SP acelera em maio e Fipe vê mudança de patamar

A inflação ao consumidor em São Paulo acelerou pelo terceiro mês consecutivo em maio e deve ficar no atual patamar segundo semestre do ano, disse a Fipe nesta quinta-feira. De acordo com o coordenador do Índice de Preços Consumidor (IPC) da Fipe, Paulo Picchettti, a pressão no mês passado foi patrocinada pela alta dos produtos comercializáveis, que sofreram com a recente alta do dólar, e dos preços de alimentação e vestuário. (Leia Mais)

Quinta, 03 de Junho de 2004 às 14:47, por: CdB

A inflação ao consumidor em São Paulo acelerou pelo terceiro mês consecutivo em maio e deve ficar no atual patamar segundo semestre do ano, disse a Fipe nesta quinta-feira.

De acordo com o coordenador do Índice de Preços Consumidor (IPC) da Fipe, Paulo Picchettti, a pressão no mês passado foi patrocinada pela alta dos produtos comercializáveis, que sofreram com a recente alta do dólar, e dos preços de alimentação e vestuário.

A inflação em São Paulo subiu para 0,57 % no mês passado, ante o 0,29 % em abril, disse a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas nesta quinta-feira. O núcleo do indicador ficou em 0,41 %, acima do 0,32 % de abril.

"Alimentação e vestuário foram os que mais impactaram no índice, em parte pelo aumento nas vendas por conta de uma leve recuperação do mercado interno", informou Picchetti.

Entre os grupos do IPC, Alimentação teve a maior alta de preços, de 1,05 % em maio, contra queda de 0,30 % em abril. Vestuário registrou elevação de 0,28 % .

Segundo o coordenador do IPC, além da recuperação do mercado interno --que é explicada principalmente por dissídios salariais dados no final do ano passado e pela queda da inflação anualizada--, a recente desvalorização do câmbio também contribuiu para uma pressão sobre os produtos comercializáveis que, consequentemente, ajudaram na alta do índice.

Picchetti explicou que este grupo inclui produtos de importação e exportação e, portanto, dependem da taxa de câmbio.

O preço dos produtos comercializáveis aceleraram para 0,84 % em maio, frente a alta de 0,24% em abril.

No ano, o IPC acumula alta de 1,83 por cento e nos últimos 12 meses o avanço é de 4,45 %.

A taxa de maio foi a maior desde janeiro deste ano, quando o IPC subiu 0,65 %. Analistas ouvidos pela Reuters previam, em média, um número de 0,54%.

Picchetti disse que a Fipe segue com a previsão de uma inflação entre 5,5 e 6 %no ano, mas pondera que o indicador mudou de patamar e "vai se manter em média acima de 0,5 %" nos próximos meses.

"Tem uma pressão grande de preços administrados no segundo semestre e a novidade agora é o setor externo", afirmou, explicando que a alta do dólar e o possível reajuste dos preços do combustível pela Petrobras, caso os preços internacionais continuem subindo, devem impactar no aumento de preços.

Ele explica ainda que o recente aumento do álcool e da gasolina já deve impactar o índice em junho, que deve ficar em cerca de 0,5 %.

Segundo estudo de Picchetti, se o reajuste de combustíveis pela Petrobras chegar a 10 %, o impacto no IPC será da ordem de 0,25 ponto percentual. Na hipótese de um aumento de 15 %, o impacto seria de 0,37 ponto percentual, e de um aumento de 20 %, o impacto seria de 0,49 %.

O IPC mede a variação dos preços no município de São Paulo de famílias com renda até 20 salários mínimos. A Fipe, da  Universidade de São Paulo, divulga os dados do IPC a cada semana.

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