Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Inflação declina mas queda tende a ser interrompida logo adiante

Sexta, 01 de Agosto de 2014 às 13:53, por: CdB
belluzzo.jpg
Belluzzo é um dos economistas heterodoxos brasileiros mais respeitados no continente
O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), que integra o cálculo oficial da inflação, fechou julho com alta de 0,10%, depois de encerrar junho com avanço de 0,33%, de acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta sexta-feira. A alta também mostrou desaceleração ante o 0,16% registrado na terceira quadrissemana de julho. Na comparação com a terceira quadrissemana de julho, o destaque ficou para o grupo Alimentação, que teve queda de 0,25% após recuar 0,10% na apuração anterior. Nesta classe de despesa, a FGV citou o item carnes bovinas, cuja taxa passou de alta de 0,32% para recuo de 0,13%. Buscando controlar a inflação, o Banco Central elevou a Selic para o atual nível de 11% e já explicitou, por meio da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que o seu cenário não contempla queda dos juros, diante da inflação elevada. Queda interrompida Ao finalizar seu mandato neste ano, a presidenta Dilma Rousseff vai interromper a trajetória de desaceleração da inflação que marcou a virada dos quatro governos anteriores, ao mesmo tempo em que entregará a pior taxa média de crescimento da economia nos últimos 20 anos. De acordo com especialistas consultados pela agência inglesa de notícias Reuters, essas duas marcas são fruto de erros de avaliação da situação econômica, mantendo o estímulo à atividade via consumo – uma das principais marcas de seu antecessor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu segundo mandato – aliado à demora em incentivar os investimentos. A saída para esta espiral já foi detectada, via importantes concessões públicas de infraestrura, mas é preciso que o caminho seja mantido daqui para frente por quem estiver à frente da Presidência da República em janeiro, segundo economistas. – Houve um erro de estratégia. Demorou muito para perceber que o consumo estava perdendo força para impulsionar a economia. Não se conseguiu articular a queda do consumo com recuperação do investimento – avaliou o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, um dos conselheiros econômicos da presidenta Dilma. O primeiro governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-1998) acumulou inflação medida pelo IPCA de 43,46%. Esse número foi caindo até que Lula encerrou seu segundo mandato, em 2010, com alta de preços acumulada de 22,21%. Se a projeção do Banco Central (BC) para o IPCA a 6,4% neste ano se concretizar, Dilma vai interromper essa sequência de queda e terminar seu mandato com o indicador somando alta de 27% em quatro anos. Quando o assunto é atividade econômica, os dados também não são animadores. Diante da crise do capitalismo mundial, Dilma deve entregar crescimento médio anual de 1,8% em seu governo, se confirmada a expectativa do mercado de expansão de 0,9% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, segundo pesquisa Focus do BC. Quando recebeu a faixa de Lula, a taxa média havia sido de 4,6% entre 2007 e 2010.
Tags:
Edições digital e impressa