Rio de Janeiro, 04 de Novembro de 2026

Inflação de alimentos pode beneficiar Brasil, diz Mantega

Sexta, 11 de Abril de 2008 às 17:26, por: CdB

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta sexta-feira, em Washington, que acredita que o Brasil poderá se beneficiar da alta mundial de preços de alimentos. Segundo Mantega, a inflação alimentar ''tem o lado ruim, de aumento de custo de alimentos, mas o lado bom, que é o do choque de oferta''.

De acordo com o ministro, o Brasil se encontra em uma posição privilegiada, porque tem muitas terras agrícolas.

— 'O Brasil pode se beneficiar até da situação, aumentando a oferta, podemos tomar essa questão como um desafio, não como problema, que nos obriga a aumentar rapidamente a oferta de vários produtos agrícolas —, disse.
 
Inflação

Mantega comentou que os alimentos estão causando um aumento inflacionário em todo o mundo, inclusive no Brasil.

— No anos passado, tivemos uma inflação de 4,46%. Se tirarmos os alimentos, feijão, leite e derivados, nós vamos para 3 e pouco por cento de inflação —, disse.

Segundo o ministro, a forma eficaz de combater a atual crise é não apenas através do aumento da oferta de produtos agrícolas, mas também pelo investimento e a produção de alimentos.

— Durante muito tempo, os países descuidaram dos investimentos. Deixamos de lado a produção de alimentos e ao mesmo tempo houve um aumento do poder aquisitivo de parte significativa da população mundial, os chineses começaram a comer mais, os indianos, os africanos, os braileiros, todo mundo começou a comer mais —, afirmou.

Os comentários de Mantega foram feitos na sede do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, onde o ministro participa da reunião de primavera do órgão.

Reforma

O ministro elogiou o aumento de cotas destinado aos países emergentes que integram o FMI, que deu a estas nações maior poder de voto dentro do órgão. O Brasil será um dos beneficiados pela reforma, que deverá ser referendada neste fim de semana, durante a reunião do FMI. O país, que atualmente conta com 1,4% em cotas, passará para 1,7%.

Mantega saudou o papel do atual diretor do fundo, Dominque Strauss-Kanh, na elaboração da nova proposta.

— Desde que assumiu o novo diretor-gerente, as coisas mudaram de forma considerável. Ele imprimiu um novo dinamismo, trabalhou com o Brasil, com a Índia, com todos que criticavam (o modelo anterior). E conseguiu apresentar uma proposta satisfatória —, afirmou.

— É claro que ainda não é a proposta dos nossos sonhos, mas sabemos que a proposta dos sonhos muitas vezes colide com a dos 180 membros do fundo —, acrescentou.

Emergentes

Para Mantega, a reforma do FMI ''beneficia no curto, médio e longo prazo os países em desenvolvimento'', que têm um papel cada vez mais de destaque na economia global.

— Nós estamos assistindo hoje a uma mudança na dinâmica da economia capitalista internacional, no sentido de reforçar um novo pólo, que é constituído pelos Brics (o bloco formado por Brasil, Rússia, Índia e China) —, disse.

De acordo com o ministro, os países emergentes poderão ser responsáveis pela maior parte do crescimento nas próximas décadas, e por isso, precisam exercer presença até em organismos como o G7, o grupo das sete principais economias mundiais.

— Um G8, G9, G10, G11, será mais eficaz que um G7, porque terá China, Índia, que têm um peso econômico reconhecido —, disse.

Mas Mantega fez uma ressalva.

— Não iremos participar desse fórum como convidados para tomar o cafezinho. Para tomar parte em meia hora da discussão para irmos embora na parte mais significativa —, disse.

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