Rio de Janeiro, 24 de Maio de 2026

Inflação começa a perder o fôlego com a queda do IGP-M

Segunda, 30 de Maio de 2005 às 06:25, por: CdB

O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) recuou 0,22% em maio, ante alta de 0,86% em abril, por conta da queda dos preços no atacado, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta segunda-feira. Um dos fatores decisivos para a desaceleração foram os preços no atacado, com peso de 60% da composição do índice. O Índice de Preços do Atacado (IPA) teve deflação de 0,77%, após alta de 0,96% em abril.

No atacado, a queda na cotação do dólar também influenciou a baixa dos preços. Nesta sexta-feira, a moeda norte-americana fechou cotada a R$ 2,384, o menor índice em mais de três anos. A valorização do real contribui para baratear produtos e insumos importados e, com isso, reduzir os preços no atacado.

Outro fator a contribuir para a deflação foi o fim da estiagem na região Sul. O recuo de preços no atacado atingiu principalmente as matérias-primas agropecuárias, como milho (-3,71%), suínos (-16,72%), soja (-6,87%), bovinos (-3,92%) e arroz em casca (-14,31%). O efeito pode ser percebido também nos alimentos "in natura", que recuaram 2,24%. Mas os alimentos não foram os únicos focos de pressão negativa sobre os preços. Os combustíveis, no entanto, observaram uma ligeira alta nos preços, mas abaixo do mês passado. Juntamente com os lubrificantes, a variação foi de 0,48%, ante 3,33% em abril.

O menor ritmo da inflação só não foi maior em razão dos preços no varejo, que apresentam tendência de alta. Para o consumidor, a alta dos preços passou de 0,80% em abril para 1,02% em maio.As principais pressões na inflação ao consumidor vieram dos grupos Habitação, Alimentação e Vestuário. O aumento das tarifas de energia elétrica em Salvador, Recife e Belo Horizonte levaram o grupo Habitação a registrar alta de 0,86%, superior aos 0,52% obtidos em abril.

Se no atacado os alimentos contribuíram para a desaceleração, os consumidores perceberam, no entanto, uma alta localizada nas hortaliças e legumes, carnes bovinas e panificados. Hortaliças e legumes passaram de 2,88% em abril para 8,17% em maio. Segundo analistas financeiros, torna-se difícil prever quando e com que intensidade o recuo dos preços do atacado provocará desaceleração também no varejo. É provável, entretanto, que o índice de preços ao consumidor registre altas menores a partir de junho.

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