A última pesquisa de mercado realizada pelo Banco Central em 2004, divulgada nesta segunda-feira, indica que a inflação de dezembro, a ser divulgada na próxima semana pelo Instituto brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), será em torno de 0,74%. Com isso, a inflação acumulada no ano, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), chegará aos 7,47%. O índice fica, portanto, acima dos 7,4% previstos pelo BC no relatório trimestral de inflação, divulgado na última terça-feira, e longe do centro da meta de 5,5% definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) que estipulou também uma tolerância de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos. A inflação quase chegou ao teto da "margem de erro".
As expectativas de analistas de mercado e de instituições financeiras melhoraram um pouco, porém, em relação à inflação futura. De acordo com a pesquisa realizada pela Gerência de Relações com Investidores (Gerin) do BC, o IPCA de janeiro será mais baixo que o do mês passado, situando-se em torno de 0,60%. Segundo o Boletim Focus, este é o primeiro passo para que em 2005 o IPCA (índice que serve de parâmetro para as metas) caia para 5,70%. A projeção fica acima da meta de 4,5% estipulada pelo CMN e posteriormente ajustada pelo BC para 5,1%, sob a justificativa de que a "inércia inflacionária" de 2004 se refletiria nos preços de 2005. Apesar do ajuste, o começa o ano acreditando em inflação de 5,3%.
De acordo com o Boletim, o mercado trabalha com a hipótese de que os reajustes de preços no mercado atacadista cairão à metade, na média, ao longo de 2005. Tanto o índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) quanto o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), que em 2004 registraram aumentos acima de 12%, neste ano devem se situar em torno de 6,50%.
Mais uma vez, um dos fatores que mais contribuíram para elevar a inflação foi o segmento de serviços monitorados e de preços administrados. Os reajustes de combustíveis, energia elétrica, telefonia, transporte público e outros acumularam 9,86% no ano, contra IPCA preliminar de 7,47%. O segmento tem peso médio de 28% na composição do cálculo do IPCA.
Alta no IPC-S
A inflação, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas no IPC-S, registrou variação de 0,66%, uma alta de 0,05 ponto percentual em relação à taxa anterior. Nesta avaliação, os grupos Alimentação e Transportes exerceram as maiores pressões para a formação da taxa geral. Os dois grupos corresponderam a mais de 60% da taxa apurada nesta edição, informou nesta segunda-feira a Fundação Getúlio Vargas.
A pesquisa baseou-se nos preços coletados entre os dias 25 de novembro a 24 de dezembro de 2004, comparados aos coletados entre 25 de outubro a 24 de novembro de 2004. A taxa do grupo Transportes acelerou-se em 0,24 ponto percentual, atingindo 2,36%. Desta forma, o grupo continuou a representar a maior contribuição para a formação da taxa do IPC-S. Os itens que mais pressionaram foram: tarifa de ônibus urbano (1,00% para 1,15%), tarifa de táxi (8,08% para 8,93%) e gasolina (3,92% para 4,70%), este último permanecendo, pela quarta semana consecutiva, como a maior contribuição individual para a formação deste índice.
O grupo Alimentação registrou a segunda maior aceleração nesta edição, passando de 0,27% para 0,46%. Doze dos 21 itens componentes deste grupo apresentaram aumento em suas taxas de variação. Estes itens representam mais de 72% das despesas familiares com alimentos. As principais pressões partiram das carnes bovinas, suínas e de frango. As variações foram as seguintes: carnes bovinas (3,58% para 3,79%), carnes suínas (3,12% para 3,92%) e aves e ovos (1,88% para 2,18%). Já o grupo Habitação, com mais um recuo em sua taxa, deixou de ser um dos principais destaques.
Em 2004, o IPC-S acumulou variação de 6,30%, sendo o grupo Transportes o que registrou a maior taxa no ano, 9,18%. Os principais responsáveis para a formação d