Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Inflação cai mas sobram sinais de que a produtividade segue em baixa

Quarta, 23 de Julho de 2014 às 11:26, por: CdB
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Na comparação com o mês imediatamente anterior, o crescimento da construção civil tem sido menor

O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), que integra o cálculo da inflação oficial no país, avançou 0,16% na terceira quadrissemana de julho, depois de alta de 0,24% na segunda quadrissemana do mês, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta quarta-feira, em mais um indício de que a alta dos preços entrou em uma curva descendente, proporcional ao aumento nas taxas de juros do Banco Central (BC) para este ano. Apesar da redução nos índices inflacionários, a economia mostra sinais adversos tanto na indústria quanto no comércio. A prévia da Sondagem da Indústria de Transformação para o mês de julho indica queda de 3,2% do Índice de Confiança da Indústria, em relação ao resultado final de junho, considerando-se dados livres de influência sazonal.

A prévia foi divulgada nesta quarta-feira, pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). Caso o resultado venha a se confirmar, o índice atingirá 84,4 pontos, o menor desde os 82,2 pontos atingidos em abril de 2009, e manterá assim a trajetória de queda iniciada em janeiro passado. Segundo o Ibre, o resultado reflete, pelo terceiro mês consecutivo, “a deterioração tanto das avaliações sobre o momento presente quanto das expectativas em relação aos meses seguintes”. Pelas projeções dos economistas do Ibre, o Índice da Situação Atual deverá recuar, em relação ao resultado final de junho, 4,4% atingindo em julho 86,1 pontos. O Índice de Expectativas deve cair 2%, ficando em 82,7 pontos.

Os dados preliminares da Sondagem da Indústria de Transformação de julho indicam ainda redução no Nível de Utilização da Capacidade Instalada, de 83,5% para 83,2%, entre um período e outro – o menor desde os 82,6% de outubro de 2009. Para o levantamento da prévia de julho da Sondagem da Indústria de Transformação, o Ibre consultou 809 empresas nos primeiros 18 dias deste mês. O resultado final da pesquisa será divulgado na próxima terça-feira, dia 29 de julho.

Construção civil

Na indústria da construção civil, o indicador de nível de atividade do setor alcançou 44,5 pontos em junho, de acordo com a sondagem do setor, feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Esse foi o sétimo mês consecutivo em que o indicador ficou abaixo da linha divisória dos 50 pontos, o que revela queda na atividade. O indicador de número de empregados também mostrou redução no quadro de trabalhadores, ao ficar em 45,3 pontos.

Conforme a pesquisa, o indicador de evolução do nível de atividade em relação ao usual para o mês ficou em 41,7 pontos, o menor da série histórica iniciada em dezembro de 2009. A utilização da capacidade de operação caiu 1 ponto percentual em relação a maio e alcançou 69% em junho. A retração da atividade compromete a situação financeira das empresas. No segundo trimestre do ano, o indicador de margem de lucro operacional ficou em 41,4 pontos e o de situação financeira recuou para 45,1 pontos, ambos abaixo da linha divisória dos 50 pontos, o que demonstra a insatisfação dos empresários, de acordo com a CNI.

O indicador de acesso ao crédito alcançou 37,9 pontos, abaixo da linha divisória dos 50 pontos, que separa a dificuldade da facilidade para obtenção de financiamentos. Para a CNI, a dificuldade de acesso ao crédito se disseminou pela indústria da construção. A pesquisa informa ainda que cresceram as dificuldades das empresas com a inadimplência dos clientes e com os juros elevados. Entre os principais problemas enfrentados pelo setor, as menções sobre a inadimplência dos clientes aumentou de 15,7% no primeiro trimestre para 21,4% em junho. As indicações sobre a elevada taxa de juros subiram de 18% para 22,5%. Mas o principal problema do setor, com 46,9% das respostas, continua sendo a elevada carga tributária, seguida da falta de trabalhador qualificado, com 34,2% das menções.

O indicador de expectativa sobre a evolução do nível de atividade para os próximos seis meses ficou em 51,2 pontos e o de expectativa em relação a novos empreendimentos, em 50,3 pontos. Os indicadores de compras de insumos e de matérias-primas e de evolução do número dos empregados ficaram levemente abaixo dos 50 pontos.

Comércio

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) também caiu 1%, de junho para julho deste ano, registrando a nona retração consecutiva. O Icec fechou em 108,4 pontos, alcançando nível mais baixo histórico, pelo terceiro mês consecutivo, na série ajustada sazonalmente. Os dados relativos ao Icec foram divulgados hoje (23) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Os dados da CNC apontam que, em relação a julho de 2013, o recuo chega a 7% - neste caso o décimo segundo consecutivo. Na mesma base de comparação, o maior ajuste se deu por meio do subíndice que avalia as expectativas (-8,8%). Em seguida, vieram as quedas nas avaliações das condições correntes (-5,9%) e nas intenções de investimentos (-5,4%). Entre os nove itens pesquisados, seis encontram-se atualmente no menor nível desde o início da pesquisa.

Na avaliação da CNC, “o crescimento moderado das vendas do comércio e o nível fraco de atividade em geral seguem comprimindo o grau de satisfação dos empresários com as condições correntes do setor e da economia e, para 70% deles, as condições econômicas atuais pioraram nos últimos 12 meses”.

A pesquisa indica ainda que, entre os nove itens que compõem o Icec, as condições correntes da economia e do setor são os que, atualmente, encontram-se nos níveis mais baixos. “A piora nas avaliações das condições correntes tem se alinhado a outros indicadores do nível de atividade, como, por exemplo, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que acumula alta de 0,9% em 2014 – taxa menor que a observada no mesmo período de 2013 (1,7%).

Em termos regionais, o Icec segue com avaliações predominantemente negativas (abaixo dos 100 pontos) nas cinco regiões do país, sendo Sul e Sudeste aquelas com os mais baixos níveis de satisfação (78,8 e 75,3 pontos, respectivamente).

Projeção de crescimento

A CNC ressalta, ainda, que pela segunda vez seguida os três componentes do subíndice que mede as expectativas alcançaram seus respectivos pisos históricos. “Dentre os 12 itens pesquisados pelo Icec, as perspectivas em relação à economia sofreram as maiores quedas tanto na comparação mensal (-3%) quanto na anual (-11,9%), comportamento que, de certa forma, acompanha o contínuo reajuste esperado para a economia brasileira ao longo do ano.

A entidade lembra que no segundo boletim semanal Focus do Banco Central, a mediana das expectativas em relação ao PIB recuou de 2,8% para 1% no intervalo de um ano e, com isso, “as expectativas para o setor também tiveram revisões significativas por parte dos entrevistados, com quedas de 1,3% em relação a junho e de 9,3% quando a comparação se dá com julho de 2013”.

Mesmo com a perspectiva de perda de fôlego da inflação no varejo no segundo semestre, a CNC revisou para baixo a projeção de crescimento das vendas do varejo em 2014 (4,4%) – patamar muito semelhante aos 4,3% registrados em 2013.

A queda de 7,8% sobre julho de 2013 na intenção de investimentos nas empresas foi a décima oitava consecutiva e levou o indicador ao patamar mais baixo da série histórica (102,3 pontos). “Além do nível fraco de atividade, o encarecimento do crédito tem desestimulado a concretização de investimentos no setor”, avalia a CNC.

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio é indicador antecedente, apurado exclusivamente entre os tomadores de decisão das empresas do varejo e o objetivo é detectar as tendências das ações empresariais do setor, do ponto de vista do empresário. A amostra é composta por aproximadamente 6 mil empresas situadas em todas as capitais do país, e os índices, apurados mensalmente, apresentam dispersões que variam de 0 a 200 pontos.

 
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