A Copa do Mundo da África do Sul ajudou a segurar os preços no Brasil, como mostra a série histórica do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
– A variação zero do IPCA de junho está diretamente ligada à Copa do Mundo – afirmou a coordenadora da pesquisa, Eulina Nunes.
Nenhuma novidade pois, segundo ela, desde o Plano Real a inflação registra queda nos períodos de Copa do Mundo.
– Em 1998, a inflação na época da Copa foi a menor taxa mensal do primeiro semestre (0,02%). Em 2002, maio registrou a menor taxa do primeiro semestre (0,21%). Em 2006, houve deflação de 0,21% e neste ano a variação de junho foi de 0% – exemplificou.
O motivo seria a mudança no padrão de consumo dos brasileiros durante o mundial.
– O brasileiro é muito apaixonado por futebol e são comuns as mudanças de hábito na alimentação, mais voltada para o churrasco, para a pizza, comida fora de casa, e os comerciantes diminuem os preços. As lojas de vestuário também fizeram muitas promoções de produtos ligados à Copa. Já as passagens áreas aumentaram, sobretudo em função do evento, já que houve muitos feriados e festas – lembrou.
A pesquisadora explicou que a relação entre inflação e copa é consequência do estudo mais detalhado da série, visto que a queda brusca de alguns grupos não se justificava, já que o Brasil está vivendo um período de economia aquecida e com boas taxas de emprego e de renda familiar.
– Foi uma descoberta muito curiosa e interessante – completou Eulina Nunes.
Passagens mais caras
A queda dos preços do etanol (de -5,77% em maio para -5,41% em junho), da gasolina (de 0,01% para -0,76%) e dos automóveis novos (de 0,76% para -0,37%) e usados (de 0,02% para -1,21%) contribuíram para que o grupo transporte do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) variasse 0,21% em junho. O resultado foi divulgado hoje (7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Já as passagens aéreas ficaram 12,57% mais caras, após queda de 0,9% em maio. Ainda segundo o IBGE, os cigarros também ficaram mais caros após o reajuste de preços de um dos fabricantes, fato que contribuiu para a variação de 3,70% na taxa de junho. Por isso, as despesas pessoais apresentaram a maior variação dentre os grupos pesquisados (de 0,75% em maio para 0,74% em junho).
Dentre as regiões metropolitanas pesquisadas, Porto Alegre e Curitiba foram as que apresentaram a deflação mais significativa (-0,15%), sobretudo pela queda dos preços dos combustíveis (-1,26% e -3,81%, respectivamente). O índice mais alto foi apurado em Brasília (0,38%), impactado pelo aumento dos preços das passagens aéreas, de 13,44%.
Inflação cai em ano de Copa do Mundo, descobre pesquisadora
A Copa do Mundo da África do Sul ajudou a segurar os preços no Brasil, como mostra a série histórica do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Quarta, 07 de Julho de 2010 às 10:07, por: CdB