A inflação pelo IPCA deve acelerar no terceiro trimestre, pressionada por preços administrados e pela recuperação da demanda interna. Mesmo com a estimativa de um alívio nos últimos três meses de 2004, a inflação deve ficar mais próxima do teto da meta, de 8%, mostrou uma pesquisa da Reuters divulgada nesta sexta-feira. O alvo central deste ano é de 5,5%.
A média de previsões de 10 analistas ouvidos pela agência inglesa de notícias apontou taxa pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 6,90 por cento no ano. Os prognósticos variaram de 6,5% a 7,12%.
- Os preços administrados sobem em julho e agosto e os preços livres também vão mostrar aumento porque vai haver um aumento de consumo. A renda vem se recuperando de forma gradual... apesar de ainda ser negativa. Dentro de três meses deveremos ver uma renda positiva, abrindo espaço para mais repasses do atacado para o varejo - disse Marcelo Ávila, economista-chefe da consultoria Global Station.
Os prognósticos apontaram média mensal de 0,64 por cento no terceiro trimestre e de 0,44 por cento no quarto. No primeiro trimestre, a taxa média foi de 0,61 por cento ao mês e no segundo, levando em conta as previsões para junho, de 0,53 por cento.
- Eu estou torcendo para que, passada a fase dos administrados, em julho e agosto, não venha mais nenhuma pressão grande, senão vamos bater no teto dessa meta - afirmou Mauro Schneider, estrategista do ING.
A projeção do próprio Banco Central para o ano já supera o centro da meta. Considerando o juro básico estável em 16% e o dólar ao redor de R$ 3,10, o BC vê IPCA em 6,4%.
Julho em alta
A inflação deve começar a mostrar-se mais alta a partir de junho. A média de prognósticos dos 10 economistas apontou taxa de 0,70%, pressionada pelos custos de alimentos e combustíveis.
- Não vejo no restante deste ano uma taxa mensal abaixo de 0,40% - sustentou o economista-chefe do Banco Schahin, Cristiano Oliveira.
A inflação de julho deve ser a mais alta do ano, de 0,86%, segundo a média das expectativas. O impacto virá dos preços administrados, como telefonia fixa e energia elétrica. Em agosto, a pressão continua, mas começa a perder força, para 0,60% - em razão sobretudo de menor impacto de alimentos.
Entre setembro e dezembro, a inflação não deve ficar abaixo de 0,42% em nenhum mês devido à continuidade do repasse do atacado para o varejo. Alguns dos economistas que fizeram projeções para o ano abaixo de 7% ressaltaram que podem em breve elevá-las em razão desse movimento.
- Como o repasse dos IPAs (Índice de Preço no Atacado) tem sido menor que o padrão histórico, você tem uma inflação potencial nos próximos meses. Existe risco maior de repasse porque a economia está crescendo - acrescentou Oliveira, do Schahin.