Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Inflação ainda permanece alta mas tende a ceder com o tempo, diz BC

Quinta, 24 de Julho de 2014 às 11:31, por: CdB
presidente-copom1.jpg
Presidente do BC, Tombini é o presidente do Copom, que decide a taxa anual de juros no país
A inflação ainda deve manter-se resistente nos próximos trimestres, mas tende a convergir para a meta no futuro, se a taxa básica de juros, a Selic, não for reduzida. Esse é o cenário previsto pelo do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). A avaliação foi divulgada nesta quinta-feira, na ata da última reunião do comitê, que decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 11% ao ano, no último dia 16. “O comitê antecipa cenário que contempla inflação resistente nos próximos trimestres, mas, que, mantidas as condições monetárias – isto é, levando em conta estratégia que não contempla redução do instrumento de política monetária (taxa Selic) – tende a entrar em trajetória de convergência para a meta nos trimestres finais do horizonte de projeção”, diz a ata. Cabe ao BC manter a inflação dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Essa meta tem como centro 4,5% e limite superior em 6,5%. No mês passado, o BC divulgou em seu Relatório de Inflação que espera que a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), fique em 6,4%, este ano; em 5,7%, em 2015, e em 5,1%, em 12 meses acumulados no final do segundo trimestre de 2016. Na avaliação do Copom, as pressões inflacionárias tendem a arrefecer ou, até mesmo, se esgotarem. O Copom cita como exemplos de pressões inflacionárias o aumento de preços domésticos, em alinhamento com os internacionais, e a alta dos preços administrados para acompanhar os livres. Para o comitê, os ganhos salariais incompatíveis com o aumento da produtividade também são um fator de pressão sobre a inflação. Por conta dessas pressões, o colegiado diz que a inflação ainda mostrou resistência nos últimos 12 meses e para combatê-las, o Copom lembra que a taxa Selic foi elevada por nove vezes seguidas, até a reunião de abril. Em maio e julho, o Copom optou por manter a Selic em 11% ao ano. Para o comitê, o efeito dessas elevações na inflação, “em parte, ainda estão por se materializar”. “Além disso, é plausível afirmar que, na presença de níveis de confiança relativamente modestos, os efeitos das ações de política monetária [decisões sobre a Selic] sobre a inflação tendem a ser potencializados”, acrescentou. Na ata, o Copom também destaca “o deslocamento do hiato do produto para o campo desinflacionário”. Isso quer dizer que a economia está crescendo abaixo do seu potencial, o que contribui para reduzir pressões inflacionárias. Quando o Copom aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida e isso gera reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Já quando o Copom reduz os juros básicos, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, mas a medida alivia o controle sobre a inflação. Ao manter a Selic, o comitê indica que elevações anteriores foram suficientes para controlar a inflação. Contratos de aluguel Um dos pesos específicos no cálculo da inflação, os contratos de locação residencial assinados em junho na cidade de São Paulo subiram 1% na comparação com maio, informou nesta quinta-feira o sindicato da habitação paulista, Secovi-SP. Em 12 meses, os valores médios de locação subiram 7,6 por cento, acima do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) do período, de 6,2%, disse o sindicato. O maior acréscimo na comparação mensal ocorreu em imóveis de 1 quarto, que subiram 1,9% em junho ante maio, enquanto os de 2 quartos subiram 0,7%, e os de 3 dormitórios avançaram 0,2% na mesma base de comparação.
Tags:
Edições digital e impressa