A inflação medida pelo Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) acelerou neste mês, embora menos do que a mediana das previsões dos analistas de mercado, pressionada por maiores custos no atacado, puxados pelo minério de ferro e pelos dissídios salariais na construção civil. A alta do indicador foi de 1,30% em junho, ante 1,11% em maio, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta quarta-feira.
Analistas ouvidos pela agência inglesa de notícia Reuters previam uma leitura de 1,50%, segundo a mediana de 10 respostas que ficaram entre 1,33 e 1,80%. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) aumentou 1,68% em junho, após avanço de 1,34% em maio. O IPA agrícola caiu 0,04%, depois da alta anterior de 1,65%, enquanto o IPA industrial avançou mais, em 2,23%, ante 1,24% em maio.
O destaque de aumento no atacado foi o minério de ferro, reajustado recentemente, com salto de 51,84% agora, ante 21,02% no mês passado. Outras pressões individuais de preços foram de farelo de soja, leite in natura, soja em grão e milho em grão. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) avançou 2,01% em junho, comparado a 0,77% em maio.
Os dissídios salariais da categoria prejudicaram o item Mão de obra, cujos custos avançaram 3,30%. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) caiu 0,01% em junho, contra alta anterior de 0,64%. Os custos de Alimentação declinaram 1,05%, seguindo a elevação anterior de 1,21%.
Os preços de Saúde e cuidados pessoais subiram menos, em 0,46% em junho, ante 0,87% em maio, assim como os de Educação, leitura e recreação, que tiveram variação positiva de 0,06% agora, ante 0,30% antes. No ano, o IGP-10 acumula avanço de 5,55% e nos últimos 12 meses, de 5,03%.
Para calcular o IGP-10, a FGV pesquisa preços entre os dia 11 do mês anterior e o dia 10 do mês de referência.
Forte queda
O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) caiu e teve a menor leitura desde setembro de 2008, refletindo, sobretudo, menores custos de alimentos. O indicador registrou variação negativa de 0,04% na segunda prévia de junho, ante alta de 0,21% na primeira, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Nesta quarta-feira, economistas consultados pela Reuters previam taxa positiva de 0,10%, de acordo com a mediana de 10 respostas que variaram de zero a 0,16%.
Os preços do grupo Alimentação declinaram 1,05% nesta leitura, contra 0,46% na anterior, em razão dos recuos de Hortaliças e legumes, Laticínios e Adoçantes. Os custos de Habitação subiram em ritmo menor, em 0,56% agora, ante 0,71% antes. Os de Saúde e cuidados pessoas tiveram o mesmo movimento, avançando 0,44% na segunda prévia, após 0,54% na primeira. Os de Vestuário avançaram 1,12% agora, contra avanço anterior de 1,44%. As maiores quedas individuais de preços foram de batata-inglesa, tomate, açúcar refinado, leite longa vida e álcool combustível.
Entre as despesas com principais influências positivas estão: tarifa de energia elétrica (de 2,17% para 1,76%), mamão papaia (de 10,75% para 8,74%); cebola (de 13,34% para 12,08%); condomínio residencial (de 1,13% para 1,21%) e seguro facultativo para veículos (de 3,15% para 3,91%).
No grupo transporte foi mantida a taxa de -0,13%. Neste caso, o índice reflete os gastos com o seguro facultativo para veículos (de 3,15% para 3,91%) e com o abastecimento dos veículos movidos a gás natural. O preço desse tipo de combustível sofreu reajuste médio de 2,04%, variação inferior ao do último levantamento (3,98%). O álcool combustível também continua influenciando o resultado, com queda de 7,33% ante 7,67%.