Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Inflação acelera mais do que o esperado após alta dos combustíveis

Quinta, 26 de Novembro de 2009 às 10:38, por: CdB

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) acelerou mais que o esperado em novembro, para o maior patamar desde maio, refletindo a reversão da queda dos alimentos e uma aceleração dos custos de combustíveis e carros. Essas são pressões pontuais e apesar de provavelmente resultarem em alguma ligeira elevação dos prognósticos da inflação para o ano, não mudam a perspectiva de preços sob controle.

O indicador teve alta de 0,44% neste mês, ante avanço de 0,18% em outubro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira. A mediana e a média das previsões de 28 analistas ouvidos pela Reuters apontavam uma taxa de 0,35% para este mês, com as estimativas entre 0,30 a 0,38%. Os preços do grupo Alimentação e Bebidas subiram 0,39% neste mês, contra queda de 0,25% no anterior.

Outra pressão veio de Transportes, que acelerou a alta para 0,95% em novembro, ante 0,18% em outubro: "A alta da gasolina (1,36%) decorreu do impacto do aumento do preço do litro do álcool, que passou a custar 9,13% a mais. Além disso, influenciando o grupo Transporte, os automóveis novos tiveram seus preços acrescidos em 1,11%, enquanto as passagens aéreas atingiram alta de 18,03%", afirmou o IBGE em nota.

Desses dois grupos vieram as maiores pressões individuais do mês: tomate e gasolina, com contribuição de 0,06 ponto percentual cada para a taxa do IPCA-15. A alta dos automóveis reflete a retirada gradual, a partir de outubro, da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o setor automotivo. Os preços de Vestuário também ficaram maiores, com alta de 0,63% neste mês, contra 0,51% no passado, assim como os de Artigos de residência, com avanço de 0,53% em novembro, ante 0,03% antes.

– Grande parte dos aumentos são transitórios, como transportes e alimentos, mas o comportamento de artigos de residência precisa ser monitorado nos próximos meses, para ver se há sinais de pressões de demanda por conta da recuperação econômica. Mas não muda o cenário de inflação benigna. Muitas das pressões são de curtíssimo prazo – disse Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin.

O IBGE acrescentou que por outro lado, Habitação registrou uma desaceleração significativa do aumento de preços, para 0,16%, ante 0,47% em outubro. No ano, o IPCA-15 acumula alta de 3,79%. Em 12 meses, a elevação é de 4,09%. O IPCA-15 é tido como uma prévia do IPCA, o índice que serve de referência para a meta de inflação do país.

A metodologia de cálculo é a mesma, apurando a variação de preços para famílias com renda de até 40 salários mínimos em 11 regiões metropolitanas do país. A diferença está no período de coleta, já que o IPCA mede o mês calendário.

Vendas aquecidas

Relatório divulgado pela Associação Brasileira de supermercados (Abras), na manhã desta quinta-feira, aponta um aumento nas vendas do setor em 7,2% no mês passado. Comparadas às vendas de setembro, houve crescimento de 8,02%. No acumulado do ano, a elevação foi de 5,5%, em relação ao mesmo período de 2008. A Abras atribui esses resultados ao aumento de renda das classes D e E.

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