Rio de Janeiro, 05 de Outubro de 2026

Inflação abaixo da meta é terreno fértil para queda dos juros

As projeções de inflação estão abaixo do centro da meta, que é de 4,5% para este ano e para 2010. A informação, que consta da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, complementa a análise de economistas que vêem a queda nas taxas de juros como tendência para as próximas reuniões do colegiado. (Leia Mais)

Quinta, 19 de Março de 2009 às 08:59, por: CdB

As projeções de inflação estão abaixo do centro da meta, que é de 4,5% para este ano e para 2010. A informação, que consta da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, complementa a análise de economistas que vêem a queda nas taxas de juros como tendência para as próximas reuniões do colegiado.

A meta inflacionária é estabelecida, com base no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e tem margem de tolerância que vai de 2,5% a 6,5%. Cabe ao Banco Central perseguir essa meta e o instrumento utilizado para controlar a inflação é a taxa básica de juros, a Selic. O Copom aumenta os juros quando considera que a trajetória e a tendência da inflação estão em alta e reduz quando ocorre o inverso. Na última reunião do Copom, realizada nos dias 10 e 11 deste mês, os juros básicos caíram de 12,75% para 11,25% ao ano. Em janeiro, a redução foi de um ponto percentual.

Segundo a ata, no cenário de referência, que leva conta a manutenção da taxa de câmbio em R$ 2,40 e da taxa Selic no patamar anterior de 12,75% ao ano, a projeção para a inflação em 2009 está abaixo do centro da meta de 4,5%. No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias das estimativas de analistas de mercado para câmbio e juros, “a projeção de inflação para 2009 também recuou em relação ao valor considerado na última reunião do Copom e encontra-se abaixo do valor central para a meta de inflação”.

“Para 2010, a projeção de inflação, segundo o cenário de referência, recuou ligeiramente em relação ao valor considerado na última reunião do Copom e encontra-se sensivelmente abaixo do valor central de 4,50% e, no cenário de mercado, também diminuiu e posiciona-se abaixo do valor central de 4,50%”, aponta o documento.

Na ata, o Copom considera, portanto, que ainda há “margem” para a redução da Selic, mas reforça que a política monetária “deve manter uma postura cautelosa”. De acordo com o documento, há sinais de “arrefecimento” do ritmo da atividade econômica no país, o que se observa, por exemplo, nos indicadores de produção industrial, nos dados sobre o mercado de trabalho e sobre a confiança de empresários e consumidores.

O comitê também considera que o desaquecimento da procura por bens e serviços, “motivado pelo aperto das condições financeiras, pela deterioração da confiança dos agentes e pela contração da atividade econômica global, criou importante margem de ociosidade dos fatores de produção”. Essa situação deve contribuir para conter as pressões inflacionárias. O Copom reforça que as mudanças na taxa de juros levam tempo para surtir efeito sobre a atividade e a inflação.

Crédito

A contribuição do crédito para sustentar o consumo doméstico, segundo a ata do Copom, diminuiu de "forma intensa” e há uma “influência negativa” sobre a confiança dos consumidores e empresários, como conseqüência da crise financeira internacional. Nessas circunstâncias, o dinamismo da atividade econômica “passa a depender crescentemente da expansão da massa salarial real e dos efeitos das transferências governamentais [aposentadorias e pensões, Bolsa Família e outros benefícios], possivelmente incrementadas, que devem ocorrer neste ano”.

O documento acrescenta que, “as perspectivas para a evolução da atividade econômica continuaram se deteriorando desde a última reunião do Copom, ainda que os dados sobre a indústria venham em parte refletindo processo de redução de estoques, que tende a se esgotar ao longo do tempo”.

Preço da gasolina

O BC não descarta a possibilidade de redução de preços da gasolina no país, apesar de manter a previsão de preços inalterados até agora. De acordo com a ata da última reunião, a incerterza sobre a cotação do petróleo continua elevada, uma vez que os preços dependem “da evolução da demanda, especialmente nas economias emergentes, da perspectiva de evolução da oferta global, em cenário de incerteza quanto à implementação e maturação de investimentos no setor, além das questões geopolíticas que atuam sobre os preços dessa mercadoria”.

“Não obstante, o cenário central de trabalho adotado pelo Copom, que prevê preços domésticos da gasolina inalterados em 2009, permanece plausível. Contudo, a persistir o quadro atual do mercado de petróleo, não parece prudente descartar por completo a hipótese de que ocorra redução de preços”, acrescenta o texto.

O Copom ressalta, que “independentemente do comportamento dos preços domésticos da gasolina, a redução dos preços internacionais do petróleo verificada desde o segundo semestre de 2008 pode eventualmente se transmitir à economia doméstica tanto por meio de cadeias produtivas, como a petroquímica, quanto pelo efeito potencial sobre as expectativas de inflação”.

Também não houve mudança na perspectiva de que os preços do botijão de gás permaneçam inalterados.

O Copom também avalia que os preços de commodities agrícolas que têm impacto sobre os custos dos alimentos, como trigo, soja e milho, registraram redução desde a última reunião do comitê. O efeito é resultado da perspectiva de redução da demanda e de acúmulo de estoques.

Tarifas

Em uma decisão unânime, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central também reduziu a projeção para o reajuste das tarifas de eletricidade de 8,1% para 7,6% neste ano, segundo a ata divulgada pela manhã. Para o preço das tarifas de telefonia foi mantida a estimativa de aumento de 5% neste ano.

Também foi mantida, em 5,5%, a projeção de reajuste para os preços administrados em 2009. Esse conjunto de preços, de acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), correspondeu a 29,64% do total do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro.

A projeção de reajustes dos itens administrados por contrato e monitorados para 2010 foi mantida em ,8%, assim como na reunião de janeiro do Copom.

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