Na exposição feita no Senado nesta 3ª feira, o presidente do Banco Central Alexandre Tombini adiantou que vê um "descompasso" entre oferta e demanda no país, o que gera as pressões inflacionárias. Encontrou aí o pretexto para voltar a defender a obssessão da diretoria do Banco - a inflação no centro da meta, esquecida de que, além desta, há uma banda de 2% para cima ou para baixo.
"Mesmo os investimentos realizados no passado recente, não foram ainda capazes de equacionar o descompasso entre oferta e demanda decorrentes do aquecimento da economia em 2010" acentuou o presidente da autoridade monetária, para quem a utilização da capacidade produtiva estabilizou-se em patamar elevado e, em alguns casos, em níveis recordes.
Tombini observou que a nossa inflação não é resultado apenas do aumento nos preços dos alimentos, mas também, entre outros fatores, da alta de tarifas e de preços no setor de serviços. Por isso, defendeu, será "importante suavizar o ritmo de crescimento da demanda, para que sejam contidas pressões sobre os preços."
"No Brasil, os desvios da inflação de serviços em relação à média, além de significativos, têm se alargado, o que constitui fonte de preocupação em relação à dinâmica da inflação" afirmou prevendo que os índices de preços devem apresentar alta próxima de 0,40% ao mês a partir do próximo trimestre, percentual compatível com uma inflação próxima da meta de 4,5% ao ano.
Pediu tranquilidade ao mercado, prometendo que ele melhorará suas expectativas nos próximos meses, quando as medidas já adotadas pelo governo, e outras que virão, gerarem mais resultados na contenção da inflação. "Tem de ter tranquilidade. Há defasagem de tudo o que se faz aqui. É sangue frio, é fazer mais para chegar com a inflação na meta em um futuro próximo."
Leiam o post acima, "Promessa de novas medidas para conter crédito" e o Destaque no alto do blog, "BC quer definir política econômica. Quem deve definí-la é o governo".