O tsunami, que deixou mais de 200 mil mortos e desaparecidos em dezembro na Ásia e na África, parece ter causado um número inusitado de infecções pulmonares, sinusites e até uma infecção que paralisa o cérebro, afirmaram especialistas e um artigo na revista norte-americana New England Journal of Medicine.
Os médicos do Hospital Geral de Massachusetts (EUA) descreveram na revista o caso de uma indonésia de 17 anos que estava a 2,5 quilômetros da praia quando o maremoto de 26 de dezembro a atingiu, arrastando-a por mais um quilômetro.
Dois dias depois, ela começou a ter tosse, dor de cabeça, náuseas e vômitos. Recebeu tratamento contra pneumonia, mas uma semana mais tarde passou a sentir fraqueza no lado direito do corpo, que progrediu para uma paralisia.
Descobriu-se então que a adolescente tinha um abscesso cerebral causado pela mesma infecção que inicialmente atingiu seus pulmões. Após um agressivo tratamento com antibióticos, ela se recuperou a voltou a andar.
Esse é um caso raro entre os sobreviventes do tsunami, segundo Tjandra Yoga Aditama, pneumologista que participou da equipe do governo indonésio que reabriu os hospitais da região de Aceh, onde mais de 160 mil pessoas morreram ou desapareceram.
- Houve alguns poucos casos, mas definitivamente não muitos. Tivemos um caso tratado em Aceh e vários em Medan - disse ele, citando a terceira maior cidade do país, aonde muitos pacientes de Aceh foram levados.
Aditama afirmou à Reuters que não tomou conhecimento de nenhum novo caso desde o começo deste ano, mas acrescentou que a pneumonia é um grave problema para os sobreviventes do tsunami.
Funcionários da Organização Mundial da Saúde (OMS, um órgão da ONU) também disseram que o caso relatado na revista provavelmente é raro.
- Este é provavelmente mais um caso individual, mas não seria uma doença transmissível, com base na informação disponível - disse à Reuters Anshu Barenjee, diretor da OMS em Aceh.
Na Tailândia, médicos do hospital Rajavithi, de Bangcoc, relataram que após o desastre tiveram de tratar problemas pulmonares em dezenas de pacientes que haviam inalado água salgada contaminada com bactérias normalmente encontradas no solo.
Alguns pacientes desenvolveram pneumonia grave e foram tratados com antibióticos, de acordo com a equipe liderada pelo médico Subsai Kongsaengdao.
Em outro hospital da capital tailandesa, os médicos descobriram o caso de um homem de 35 anos que também ingeriu água do mar. A areia congestionou os seios da face, provocando uma sinusite e gerando uma grande quantidade de material purulento esverdeado.
Ao realizarem um exame nos seios da face do homem, os médicos descobriram a presença de cinco tipos de bactérias. O paciente se recuperou com antibióticos.