Pesquisa inédita do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostrou que a realidade do ensino nos assentamentos da reforma agrária é parecida com a do meio rural como um todo. Concluída neste mês, a Pesquisa Nacional da Educação na Reforma Agrária (Pnera) revelou que o principal problema das 8.679 escolas que existem nos assentamentos é a precariedade das instalações físicas.
Perto de 48% têm apenas uma sala de aula e 22,8% têm duas salas destinadas ao ensino. Somando-se as situações, o índice de escolas com até duas salas de aula passa dos 70%. A falta de estrutura é um dos motivos para a existência de turmas multisseriadas (em 70,5% das escolas), onde alunos de séries variadas assistem à aula no mesmo espaço físico, com a mesma professora.
De acordo com o presidente do Inep, Eliezer Pacheco, o alto índice não deve afetar a qualidade do ensino, porque há metodologias para que cada aluno receba o conhecimento adequado à sua série sem prejuízo do currículo escolar:
- As turmas, em geral, são pequenas e é como a aula particular de antigamente em que uma professora atendia vários alunos, com demandas distintas - disse.
Um dado surpreendente para a coordenadora da pesquisa, professora Linda Goulart, foi o índice de 96% de escolas públicas. Desse total, 83,6% são municipais, o que, a seu ver, obriga que haja maior diálogo entre o governo federal e a prefeitura, no estabelecimento de políticas públicas. Ainda há alunos que assistem às aulas em galpões, salões paroquiais e até na casa do professor.
Em 5,5% das escolas, alunos e professoras levam água de casa porque não abastecimento, como cisterna, poço artesiano, mina d'água, próxima à escola, ou caminhão pipa, como ocorre no restante das unidades. Um dado preocupante, segundo Linda Goulart, é a ausência de fontes de iluminação em 21,1% das escolas:
- Isso ocorre principalmente naquelas turmas de ensino de jovens e adultos, de alunos mais velhos, que precisam estudar à noite. É um dado preocupante - contou.
A construção é provisória em 29,3% das escolas e em 22,7% delas não há banheiro. Os percentuais são reduzidos também quanto à presença de sala de professores (16,9%), horta (12,1%), refeitório (7,6%), quadra de esportes (6,1%), parque infantil (2,9%), laboratório de informática (2,1%), laboratório de ciências (0,9%).
Dois terços dos profissionais do ensino deles moram no entorno ou nos assentamentos, e o restante vem da zona urbana:
- Isso é bom porque as pessoas são mais identificadas com a realidade dos assentamentos -avaliou.
Linda Goulart também destacou a importância que os assentados conferem ao ensino. Cerca de 90% das famílias e produtores associados em cooperativas responderam que acham a escola positiva e pretendem que o filho siga os estudos até o ensino superior.
Eliezer Pacheco lembrou que o mérito da pesquisa é dar ao poder público, nas três esferas, elementos para elaborar ou redirecionar políticas públicas para a educação nos assentamentos da reforma agrária. Em sua avaliação, os dados acompanham a realidade que o ministério já conhecia das escolas rurais como um todo, com pequenas diferenças
De acordo com Pacheco, os dados são trabalhados pelos ministérios da Educação e do Desenvolvimento Agrário para que se enfrente os problemas encontrados. O presidente do Inep acredita que uma das prioridades do governo na área de educação dos assentamentos será a mesma que o ministério da Educação já definiu para o Brasil como um todo, concentrar esforços para aumentar a qualificação do ensino no ensino fundamental.
Embora o atendimento de alunos de 7 a 10 anos atinja a 95,7% das crianças, sendo a maioria na série adequada (92% desse total), a mesma adequação não se verifica na faixa etária de 11 a 14 anos. São 94% das crianças de 11 a 14 anos na escola, mas só 45% cursam de 5ª a 8ª séries, o que