As vendas reais da indústria voltaram a crescer em fevereiro contra o mês anterior, após recuo em janeiro, e mantiveram forte alta ante o mesmo período de 2004.
A Confederação Nacional da Indústria, contudo, entendeu que os números confirmam desaceleração da atividade, já que a queda em janeiro foi maior do que a divulgada inicialmente
No mês passado, as vendas subiram 2,85% ante janeiro, de acordo com dados dessazonalizados divulgados nesta terça-feira pela CNI. Em relação a fevereiro de 2004, o crescimento das vendas foi de 5,86% e, no acumulado do ano, a alta foi de 3,47%.
Os números de emprego na indústria também vieram positivos, com alta de 0,23% ante janeiro em dado dessazonalizado e crescimento de 6,84% contra fevereiro de 2004.
- Esse quadro, contudo, não reverte o arrefecimento da atividade industrial neste início de 2005, pois apenas compensa parte da expressiva queda observada em janeiro - afirmou a CNI em nota.
No primeiro mês do ano, de acordo com dados revisados, o faturamento da indústria caiu 3,20 por cento ante dezembro - contra queda inicialmente divulgada de 1,97%. Segundo a CNI, a revisão se deu por conta de alterações nos dados da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.
Para Flávio Castelo Branco, economista da CNI, o arrefecimento das vendas reais é resultado da política monetária restritiva e da apreciação do câmbio, que compromete o crescimento do faturamento das indústrias exportadoras em reais.
Os números favoráveis do emprego, segundo ele, "podem estar ligados ao setor exportador". Ele notou, ainda, que o indicador de emprego é um dos que mais demoram a reagir a um aperto monetário por causa dos custos das demissões.
- Se ainda não houve danos tão fortes (à indústria) é por percepção de que a política monetária mais restritiva é momentânea - disse Castelo Branco a jornalistas.
O uso da capacidade instalada recuou levemente, passando de 82% em janeiro para 81,9% em fevereiro, em número dessazonalizado.
Castelo Branco destacou que, apesar de ainda permanecer em patamar relativamente elevado, a capacidade instalada tem se reduzido "sistematicamente" desde meados do ano passado, quando alcançou 83,3%.
- Houve um diagnóstico precipitado (por parte do Banco Central) de exaustão da capacidade instalada - afirmou o economista em referência a uma das grandes preocupações da autoridade monetária.
Segundo ele, nos dois primeiros meses do ano houve uma importação expressiva de bens de capital, o que indicaria elevação de investimentos.
A própria CNI, contudo, destacou em nota que o alto aproveitamento do parque produtivo num início de ano, período sazonalmente fraco, sinaliza que o investimento em máquinas e equipamentos deve permanecer como tema prioritário em 2005.
Os indicadores da CNI são levantados mensalmente com base em consultas feitas a aproximadamente 3 mil grandes e médias empresas, em 12 Estados do país.
Indústrias vendem mais em fevereiro, mas CNI vê desaceleração
Terça, 05 de Abril de 2005 às 11:58, por: CdB