Em mais três ou quatro anos, a indústria naval brasileira estará pronta para suprir a demanda por navios no Brasil. A previsão é do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge. Em conversa com jornalistas, na manhã desta quinta-feira, o ministro lembrou que nos anos 70 o Brasil foi o segundo maior produtor mundial de navios.
- Para se ter idéia, a China que em 70 não produzia nenhuma navio, hoje, é o segundo produtor mundial, nós perdemos esse posto, não será fácil recuperar, mas como somos ambiciosos, vamos lutar por isso - afirmou. Ele acredita ainda que, em todo o mundo, há uma demanda de 3 mil navios.
O ministro contou que estão sendo realizadas reuniões com trabalhadores, exportadores, importadores, armadores e outros interessados na fabricação de navios para definir estratégias de recuperação do setor. Segundo Miguel Jorge, apesar da grande extensão litorânea e de “cidades produtoras e consumidoras importantes, temos uma frota de cabotagem (navegação entre portos nacionais) de ridículos 17 navios”.
Miguel Jorge também reafirmou que a indústria da defesa será revitalizada.
- Aconteceu com a indústria da defesa, a chamada indústria bélica, algo muito parecido com o que aconteceu com a indústria naval. Ela foi desmantelada no Brasil. Nós fomos um país que produziu bastante. A falta de um programa, uma estratégia para essa indústria [da defesa] fez com que ela fosse morrendo - disse.
Para o ministro não se trata somente de recuperação da produção de armas, mas até de botas, fardamentos e veículos, como jipes, que podem ser usados em qualquer terreno, como em regiões de fronteira. De acordo com o ministro está sendo feito um levantamento da capacidade de produção da indústria.
- Acredito que no máximo em dois meses teremos um primeiro plano, proposta mais completa em relação a material de defesa - previu.
O ministro afirmou ainda que está em estudo pelo Ministério da Defesa um marco legal para que a compra de produtos de defesa pelo governo seja feita preferencialmente da indústria nacional.
- Isso acontece no mundo inteiro. Para que se possa manter a segurança do fornecimento - disse Miguel Jorge.