Rio de Janeiro, 12 de Fevereiro de 2026

Indústrias exportadoras vêem com cautela alta do dólar

A instabilidade dos últimos dias no mercado do dólar ainda não convenceu os setores que reclamam do câmbio, como as indústrias de móveis, vestuários e calçados, do aumento das exportações desses produtos. (Leia Mais)

Sábado, 18 de Agosto de 2007 às 12:26, por: CdB

A instabilidade dos últimos dias no mercado do dólar ainda não convenceu os setores que reclamam do câmbio, como as indústrias de móveis, vestuários e calçados, do aumento das exportações desses produtos. Além de estarem reticentes quanto à duração das turbulências no mercado financeiro internacional, os representantes desses segmentos não têm certeza em relação aos efeitos que a crise no mercado imobiliário dos Estados Unidos pode ter sobre a economia do resto do mundo.

Para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), José Luiz Fernandez, a recente subida do dólar, que fechou a semana cotado a R$ 2,02, ainda é insuficiente para recuperar o nível das exportações do setor.

— Essa crise melhorou um pouquinho a nossa situação, mas está muito cedo para dizer que poderemos recompor nossas margens de lucro — diz.

Mesmo com o repique dos últimos dias na moeda norte-americana, Fernandez afirma que o nível atual do câmbio está barato.

— O setor está trabalhando bem apertado e quem está cumprindo contratos antigos está exportando com prejuízo — reclama.

Segundo o presidente da Abimóvel, o câmbio baixo poderia ser uma oportunidade para o setor moveleiro se modernizar. No entanto, ele reclama que as barreiras tarifárias não estimularam a compra de máquinas do exterior no período em que o dólar ficou abaixo dos R$ 2.

— Sem isenção de impostos, não compensa importar equipamentos, então nem deu para o setor renovar o maquinário — destacou.

Na indústria de tecidos e vestuário, que sofre com a concorrência dos produtos chineses, a opinião é a de que as conseqüências da crise ainda são desconhecidas.

— Os mercados estão refletindo a insegurança dos investidores financeiros, mas não dá para saber a extensão desse processo sobre a economia real — ressalta o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel.

Segundo o diretor da Abit, mesmo com a desvalorização do real, a instabilidade no mercado financeiro pode ser nociva para o setor têxtil caso a economia mundial reduza o crescimento e o Brasil passe a exportar menos.

— Essa crise, na verdade, pode ser cruel para o Brasil, caso se prolongue — observa.

Pimentel reconhece que a elevação da moeda norte-americana resultou em ganhos para a indústria de tecidos.

— Quem esperou o momento certo para trocar os dólares por reais lucrou — salienta.

Ele, no entanto, defende o câmbio flutuante.

— Apesar dos problemas que enfrentamos por causa da queda do dólar nos últimos anos, acredito que essa seja a melhor forma de administrar a economia do país — declara.

De acordo com o diretor da Abit, a solução para as oscilações do câmbio consiste na realização de reformas que reduzam a taxa de juros.

— São os juros altos que, nos últimos anos, atraíram o capital financeiro. Os mesmos recursos que agora fogem e provocam essa instabilidade — argumenta.

Entre as medidas que considera necessárias, Pimentel cita a desoneração dos investimentos industriais, a definição dos marcos regulatórios para os investimentos privados e a reforma tributária.

Por meio da assessoria, a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) informou que o setor, que também enfrentou queda nas exportações nos últimos anos, está cauteloso com os recentes movimentos no mercado de câmbio. Segundo a entidade, o momento é de oscilação e as indústrias do ramo não estão em época de fechar negócios.

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