As vendas da indústria enfraqueceram pelo terceiro trimestre seguido no início de 2005. De janeiro a março, o faturamento caiu 1,54 % na comparação com o trimestre imediatamente anterior.
Os dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com ajuste sazonal, mostraram que somente em março as vendas reais declinaram 1,12 %, frente a fevereiro, e subiram 0,71 % ante igual período do ano passado.
"Nós podemos de fato caracterizar o começo deste ano como uma inflexão do período de recuperação visto até meados do ano passado", afirmou a jornalistas nesta quinta-feira o coordenador da equipe técnica da CNI, Flávio Castelo Branco, culpando mais uma vez os juros altos e a valorização do câmbio pelo desaquecimento da indústria.
"Os dados não deixam margem à dúvida quanto a esse processo de queda da atividade", disse.
As informações sobre o mercado de trabalho continuam positivas, mas a CNI avalia que o efeito sobre o emprego é defasado. O número de empregados na indústria subiu 0,20 % ante fevereiro e 6,50 % frente a março de 2004.
Uma abordagem positiva dos dados indica que as empresas continuam a contratar diante de expectativas favoráveis para o futuro.
"Mas há arrefecimento neste crescimento", ponderou Castelo Branco. "É um indicador que tem uma certa defasagem e já há sinalização de que o mercado de trabalho também perde intensidade."
Já o indicador de massa salarial continua emitindo sinais favoráveis. A alta no primeiro trimestre foi de 0,81 %, segundo dados dessazonalizados --e o crescimento se mantém por sete trimestres consecutivos, o período mais longo já captado pela CNI.
O uso da capacidade instalada, sem ajuste sazonal, subiu de 81,2 % em fevereiro para 83,2 %em março. Com ajustes, a utilização manteve-se em 82,6 %.
"Desde 1992, quando se iniciou a pesquisa da CNI, não se observava em um começo de ano um nível de utilização da capacidade tão alto. Isso sinaliza a necessidade premente de investimentos no parque produtivo", apontou a CNI em nota.
Castelo Branco ponderou que esse crescimento no começo do ano também é um fator sazonal. Ainda que haja alguma folga, acrescentou, é importante que as empresas façam investimentos.
Neste início de ano, as indústrias estão operando em média com 81,9 pct de uso de capacidade instalada --patamar superior aos 80,5 pct de igual trimestre do ano passado.
Os indicadores da CNI são levantados mensalmente com base em consultas feitas a aproximadamente 3 mil grandes e médias empresas em 12 Estados do país.