Rio de Janeiro, 07 de Outubro de 2026

Indústria sofre sua pior queda na produção

A indústria brasileira sofreu em dezembro do ano passado a queda mais acentuada da produção já registrada, reflexo da retração da demanda e da resposta imediata das fábricas para tentar contornar os efeitos do agravamento da crise financeira mundial. As indústrias instaladas no país amargaram uma queda de 12,4% na produção de dezembro ante novembro, a mais acentuada da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 1991. (Leia Mais)

Terça, 03 de Fevereiro de 2009 às 09:59, por: CdB

A indústria brasileira sofreu em dezembro do ano passado a queda mais acentuada da produção já registrada, reflexo da retração da demanda e da resposta imediata das fábricas para tentar contornar os efeitos do agravamento da crise financeira mundial. As indústrias instaladas no país amargaram uma queda de 12,4% na produção de dezembro ante novembro, a mais acentuada da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 1991.

No último trimestre de 2008, o desempenho industrial ficou 9,4 % abaixo do registrado nos três meses anteriores, acrescentou o IBGE.

– Os resultados de dezembro confirmam o cenário de demissões e queda da produção anunciado pelas empresas no fim do ano passado – afirmou Isabel Nunes, economista do IBGE.

Na comparação com dezembro de 2007, o quadro também mostra uma forte deterioração do setor. "A queda na produção foi de 14,5 %, menor marca de toda a série histórica", informou o IBGE, em nota divulgada pela manhã. Os dados vieram bem piores do que as projeções feitas por analistas consultados pela Reuters. De acordo com o levantamento, os analistas esperavam uma queda mensal de 6,6% e um recuo de 9,0% na comparação com dezembro do ano anterior.

– A redução de 12,4 % observada na passagem de novembro para dezembro de 2008 foi a mais acentuada da série histórica e levou o patamar de produção ao nível observado em março de 2004 – afirmou o IBGE em nota.

A indústria de veículos, que amargou um tombo de 39,7 %, foi o principal impacto no índice global do setor.

– Foi pior, muito pior do que o imaginado... Foi um verdadeiro tombo – afirmou a Rosenberg & Associados em relatório para clientes.

Avaliando por categoria, a produção de bens duráveis despencou 34,3% em dezembro, enquanto os bens de capital recuaram 22,2%, recorde em ambos os casos. Na comparação com dezembro de 2007, a produção da indústria automotiva ficou 59,1% menor. As indústrias de material eletrônico e equipamentos de comunicação sofreu uma retração de 60,3%.

– A crise continua e os resultados já disponíveis mostram que há melhora em veículos, mas ainda com confiança deteriorada de consumidores e empresários – afirmou Isabela Nunes.

O cenário que se apresenta com os números do IBGE reforça as expectativas de continuidade do ciclo de corte da taxa básica de juro, iniciado em janeiro pelo Banco Central.

– Os dados revelam que o setor industrial respondeu aos efeitos do acirramento da crise internacional rápida e profundamente e além disso, a amplitude da queda, muito além do esperado, abre mais espaço para cortes da taxa básica de juro – afirmou o Santander em relatório para clientes.

No mercado de juros futuros, os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2010 operavam em baixa, apontando juro de 11,03%. Esse contrato embute as apostas dos analistas para o patamar da taxa básica, a Selic, ao final de 2009. Na véspera, pesquisa semanal do BC mostrou que as projeções para a Selic em dezembro apontam taxa de 10,75%. Atualmente, o juro está em 12,75% ao ano.

Expansão

Em 2008 como um todo a produção industrial acumulou alta de 3,1%, ante avanço de 6,0% em 2007. Analistas esperavam um crescimento de 3,6%, de acordo com a pesquisa feita pela agência inglesa de notícias Reuters.

"Em síntese, a mudança do quadro macroeconômico a partir de setembro teve efeito imediato sobre a atividade industrial", afirmou o IBGE.

Para os técnicos do instituto, a análise sobre o comportamento da indústria em 2008, a partir dos índices de média móvel trimestral, mostra duas fases bem distintas. A primeira mostra uma elevação generalizada do nível de produção. seguida por uma outra, a partir de outubro do ano passado, de "significativa queda na produção global".

"O quarto trimestre de 2008 frente ao trimestre anterior, com recuo de 9,4 %, interrompe sequência de doze trimestres consecutivos de crescimento, período que o setor industrial acumulou 16,5 %, apontando para uma reversão em curto espaço de tempo", concluiu o Instituto.

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