A produção industrial do país cresceu 2,7% em junho na comparação com o mês anterior. De acordo com dados divulgados nesta sexta-feira, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), trata-se do maior crescimento desde outubro de 2007, quando o setor evoluiu 3,5%. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a expansão foi de 6,6%. No primeiro semestre, o crescimento acumulado é de 6,3%. O crescimento observado na primeira metade do ano foi o maior já registrado desde o primeiro semestre de 2004, quando a indústria avançou 8,3%.
"O resultado do primeiro semestre de 2008 confirmou o padrão de crescimento da indústria ao longo deste ano, com o maior dinamismo vindo dos setores produtores de bens de capital e de bens de consumo duráveis", destacou o IBGE, em comunicado.
A produção de bens de capital - importante indicador do nível de investimento no país - cresceu 17,1% nos primeiros seis meses do ano. No segmento de bens de consumo duráveis, o avanço foi de 13,9%, impulsionado pelo setor automobilístico, segundo o IBGE. Na véspera, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) já havia mostrado que o ritmo de atividade do setor no segundo trimestre do ano mantinha-se em franca ascensão.
Crescimento acelerado
O crescimento da produção industrial em junho ficou levemente acima das estimativas de analistas consultados pelo Banco Central (BC), que esperavam avanço de 2,6%. A taxa mensal de 2,7% foi a maior registrada pelo IBGE desde outubro de 2007, o que levou o patamar de produção do setor para um novo recorde. Na comparação com junho de 2007, a produção industrial cresceu 6,6%. Em 12 meses até junho, as indústrias aumentaram em 6,7% o volume produzido.
- A virtude desse resultado de junho é que... foi um movimento generalizado - afirmou o economista Silvio Sales, do IBGE, ao destacar que a expansão foi verificada em 23 ramos industriais, em todas as categorias de uso.
Sales ponderou, entretanto, que ainda não há como afirmar que a aceleração verificada em junho irá se traduzir em tendência para o segundo semestre. "Houve, sem dúvida, uma aceleração da indústria na margem, mas não dá para falar em tendência por enquanto". Se a indústria mantiver o ritmo de junho ao longo do segundo semestre, o setor fechará o ano com expansão de 6,1 %, praticamente no mesmo patamar de 2007, quando o crescimento foi de 6,0%.
- É importante lembrar que, embora o segundo semestre de cada ano seja mais forte que o primeiro, a base de comparação para este ano vai ser mais forte - disse Sales, a jornalistas.
Para a CNI, alguns indicadores permitem vislumbrar um arrefecimento da atividade nos dois últimos trimestres do ano.
- Os estoques estão acima do desejado, aumentou a dificuldade de obtenção de crédito e as margens de lucro das empresas estão menores, por conta de aumento de preços de matérias-primas - afirmou Flávio Castelo Branco, gerente de política econômica da CNI, em relatório divulgado nesta semana.