Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Indústria reage e diz que não pediu aumento de preços

Quarta, 11 de Fevereiro de 2004 às 08:45, por: CdB

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE), disse que a indústria não tem interesse de colocar em risco o plano de estabilização da economia conduzida pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci.

- Quem aumentar preço terá dificuldade de manter seu negócio - afirmou.

A explicação para a alta de preços que os índices de inflação estão registrando neste início do ano, segundo Monteiro Neto, deve ser buscada no aumento de algumas commodities no mercado internacional, aço plano e petroquímica, por exemplo, e no repasse aos preços do aumento da alíquota da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), de 3% para 7,6%.

As grandes redes de supermercados de São Paulo receberam, nos últimos 20 dias, tabelas das indústrias com pedidos de reajustes de preços para 75 produtos. Entre os gêneros essenciais, a elevação solicitada pela indústria para o óleo de soja oscila entre 10% e 15%, enquanto que o reajuste para o café chega a 22% e para o arroz, o aumento solicitado é de 40%.

De qualquer forma, Monteiro Neto disse acreditar que aumentos expressivos, superiores a 10%, são casos isolados, verificados em algumas cadeias produtivas e, por enquanto, não têm força para elevar significativamente a inflação geral no País. O presidente da CNI disse também esperar que o movimento de alta dos preços não interrompa a queda gradual da taxa de juros iniciada no ano passado.

Orçamento reduzido

Depois de sucessivas reduções em 2003, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu manter os juros em 16,5% em sua primeira reunião deste ano, em janeiro. "Sempre tenho esperança de retomar o processo de diminuição dos juros", disse Monteiro Neto.

O presidente da Federação das Industrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, disse ontem acreditar que a possibilidade de o contingenciamento do orçamento em até R$ 6 bilhões - como anunciado pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na semana passada - não deverá causar efeitos negativos sobre a economia, segundo declarou após participar da cerimônia de abertura da Expo Fome Zero, em São Paulo.

Ele defendeu que, para neutralizar eventuais consequências desse contingenciamento, o crescimento previsto na economia de 3,5% ou 4,5% do Produto Interno Bruto na área industrial, deverá ser mais distribuído do que foi em 2003, não ficando tão concentrado nos segmentos voltados para exportação e agronegócios.

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