O Sinalizador da Produção Industrial de São Paulo cresceu em janeiro pelo segundo mês consecutivo, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) em parceria com a AES Eletropaulo, nesta quinta-feira. O indicador - que visa indicar a tendência da indústria no mês - subiu 5 % com ajuste sazonal sobre janeiro, para 118,2 pontos. Em janeiro, a alta havia sido de 5,7% e em dezembro o indicador havia despencado 13,5%.
A confiança dos industriais, no entanto, andou em descompasso com a realidade da produção industrial. O emprego na indústria registrou em janeiro a maior queda frente ao mesmo período do ano anterior já vista na série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 2001. A queda, da ordem de 2,5% ante janeiro de 2008, e de 1,3% em relação a dezembro passado é o quarto declínio mensal consecutivo.
Em 12 meses, o índice acumulado apresenta desaceleração contínua que, no intervalo terminado em janeiro, foi de 1,6%, o menor patamar desde setembro de 2007, quando os números chegaram a 1,5%. O indicador do intervalo de um ano está em queda desde agosto do ano passado. Na ocasião, marcava 3%. Segundo o IBGE, desde a intensificação da crise financeira, em setembro passado, o indicador de emprego na indústria apresentou queda de 3,9%. O índice que mostra a média dos três meses, utilizado como indicador de tendência, terminados em janeiro acentuou o ritmo de queda registrado até dezembro (-0,9%) e apresentou retração de 1,3%.
A retração de janeiro foi verificada em 13 dos 14 locais e em 12 de 18 ramos pesquisados, o que mostra que a queda no emprego não é pontual. O número de horas pagas ao trabalhador chegou a 3,6% negativos em relação a janeiro do ano passado e atingiu o menor patamar da série histórica. Em relação a dezembro, a retração foi de 1,8%, na série com ajuste sazonal. Trata-se da quarta queda consecutiva do indicador de horas pagas.
A taxa anualizada de horas pagas foi de alta de 1,4% no período até janeiro, abaixo do que havia sido verificado em dezembro, de 1,9%. A trajetória de desaceleração tem sido verificada desde outubro, quando o acumulado apontava para 2,7%. A folha de pagamento real também sofreu o impacto da crise internacional e teve queda de 1,2% em relação a dezembro, com a retração do nível de emprego e do número de horas pagas ao trabalhador. Comparado com janeiro de 2008, no entanto, o indicador teve alta de 1,2%, o menor avanço desde dezembro de 2006, quando foi de 0,5%.
Em linha
Para o IBGE, a retração de 1,3% no emprego industrial e a queda de 1,8% no total de horas pagas estão "em linha" com o menor ritmo de atividade observado nos últimos quatro meses. A produção industrial divulgada pelo IBGE na semana passada mostrava uma alta pontual, de 2,3% em janeiro, ante dezembro, mas apontava para uma tendência de queda, de acordo com o próprio instituto. No indicador de janeiro em relação ao mesmo mês do ano anterior, a queda foi a maior já registrada desde 1990, de 17,2%.
A indústria paulista demitiu 43 mil trabalhadores em fevereiro e, na comparação com o mês anterior, o nível de emprego caiu 2,09%, já contando com ajustes sazonais da atividade. Os dados fazem parte da pesquisa mensal do Nível de Emprego na Indústria, divulgada pela manhã na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Segundo a pesquisa, no acumulado do ano, a indústria paulista fechou 74 mil vagas, o que representa uma queda de 3,05% no nível de emprego.
As regiões Norte e Centro-Oeste eliminaram 4,5% das vagas de emprego, mas a queda nas horas pagas foi maior, de 6,3%. O Paraná, que também apresentou queda de 4,5% no nível de emprego, pagou 5,7% a menos de horas trabalhadas. Santa Catarina registrou retração do número de vagas em 3,5%.
Os principais impactos no nível de emprego, na média do país, foram sentidos pelos setores de Vestuário, com queda de 8,2%, Calçados e Artigos de Couro, com menos 10,3%, e Madeira, com perdas da ordem de 13,3%. Setores que já apresentavam "clara redução do ritmo de expansão" no final do ano passado, como Meios de transporte, Máquinas e Aparelhos eletrônicos e de comunicação tiveram em janeiro taxas negativas, de 1,9%, 0,3% e de 0,7%, respectivamente.
O setor de Máquinas e equipamentos, que no último trimestre de 2008 havia apresentado alta acumulada de 5,8%, acabou caindo 0,7% em janeiro. Já no sentido oposto, o setor de Petróleo e produção de álcool, por exemplo, apresentou alta no nível de emprego em janeiro, de 10,5%. O emprego também cresceu no setor de Minerais não-metálicos (3,2%), e de Papel e gráfica (1,9%).