A maioria da indústria brasileira descarta um esgotamento da capacidade instalada em 2005, quando prevê um aumento de investimentos de 8%, e em um horizonte de dois anos, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
A capacidade instalada da indústria brasileira deve crescer 8% neste ano e 19% entre 2005 e 2007. Em 2004, a projeção também era de alta de 8% para aquele ano e de 17% para o triênio até 2006.
O setor com melhor expectativa de investimentos neste ano é o de bens de capital, com expectativa de aumento da capacidade de 9%. Seguem-se os segmentos de bens de consumo e de materiais de construção, com expectativa média de expansão da capacidade na ordem de 8%.
O setor de bens intermediário estima um aumento de 7% neste ano, acima do de 6% previsto em 2004. Entre os gêneros industriais, o de Material elétrico e de comunicações, o de Vestuário e calçados e do Mobiliário são os mais otimistas sobre investimentos em 2005.
"As previsões favoráveis... nestes gêneros podem ser atribuídas à recuperação do mercado interno", disse a FGV em comunicado.
Para o triênio 2005-2007, o setor de materiais de construção e o gênero Material elétrico e de comunicações são os que mais pretendem aumentar sua capacidade. Em relação a um eventual esgotamento da capacidade instalada, apenas 9% das empresas vêem essa possibilidade em 2005. Vinte por cento a vêem dentro de um período superior a um ano e 71% a descartam nos dois anos à frente.
As empresas descartam o esgotamento devido à ociosidade ainda existente em alguns setores e à realização de investimentos. Entre os que vêem a possibilidade de esgotamento em dois anos, destacam-se os setores de bens intermediários e o de materiais de construção.
Entraves ao crescimento
A sondagem mostrou ainda que entre os fatores que impedem o crescimento sustentado da economia brasileira está a carga tributária, citada como primeiro problema por 58% das 1.020 empresas consultadas nessa pergunta.
Em seguida vêm o elevado patamar dos juros - com 23% das respostas - e a infra-estrutura deficiente, com 10%. A FGV consultou as empresas em 24 estados durante 20 de dezembro de 2004 e 4 de fevereiro de 2005.