Rio de Janeiro, 26 de Maio de 2026

Indústria paulista contrata pelo quarto mês consecutivo, mas perde ritmo

Quinta, 19 de Maio de 2005 às 13:35, por: CdB

A indústria do estado de São Paulo apresentou saldo positivo de contratações pelo quarto mês consecutivo, mas o ritmo de contratações e a própria indústria estão perdendo força, afirmou nesta quinta-feira o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini. Francini divulgou a pesquisa mensal de contratações e demissões da federação. O Índice de Nível de Emprego foi de 0,61% em abril, com um saldo positivo, entre contratações e demissões, de 12.595 novas vagas de trabalho criadas.

Para Francini, o emprego continua crescendo, mas em nível inferior às taxas registradas anteriormente. Os dados deste ano da Fiesp, porém, oscilam: 0,31% em janeiro, 0,74% em fevereiro, 0,45% em março. O índice de abril é o terceiro melhor para esse mês nos últimos cinco anos, que teve pico de 0,83% em 2004 e 0,62% em abril de 2002. Nos primeiros quatro meses deste ano, o índice totaliza crescimento de 2,11% (43 mil novas contratações). No acumulado dos últimos doze meses corridos, o crescimento foi de 6,31% (125.975 novas vagas). No gráfico comparativo entre dados da federação paulista e os do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Emprego, as contratações da indústria paulista mostram um desempenho inferior ao do país.

- A tendência é de o nível de emprego se estabilizar no patamar zero. Eu acho que isso é preocupante, que os dados estão lançados e eu me refiro à valorização do Real, que há de promover seus efeitos mais severos - avaliou Francini.

Ele estima que esses efeitos devam ocorrer especialmente no segundo semestre. Paulo Francini declarou que ao elevar ontem a taxa de juros básica, o Copom sinaliza a possibilidade de continuar a elevar a taxa de juros nos próximos meses.

- Dessa forma isso há de provocar os seus efeitos negativos, tirando mais ainda o vigor da produção industrial. E achamos que essa perda vai levar a estabilidade ao decréscimo.

Os setores que mais contrataram, percentualmente em relação a seu quadro de empregados, foram os de azeite e óleos alimentícios, seguido pelo de rações balanceadas; artefatos de papel, papelão e cortiça; e relojoaria. Francini destacou, porém, que em número de contratações os maiores resultados fora nos setores de aparelhos elétricos e eletrônicos e de autoveículos.

- O vigor do setor de aparelhos elétricos pode ser atribuído à expansão do crédito à pessoa física e no caso dos autoveículos se deve também à exportação.

Entre os que deixaram de contratar, Fancini ressaltou curtimento de couro e peles, calçados de Franca e calçados em geral.

- O Setor de calçados mostra claramente que foi afetado pela taxa cambial com redução nos dois sindicatos que temos, além do setor de curtimento de couro.

A expectativa para o segundo semestre é de que haja um recuo, porque, na avaliação do economista, a inércia da valorização do Real e a elasticidade das exportações indicam essa possibilidade.

- Basta olhar, é sempre difícil fazer uma previsão. Todos os sinais indicam que nós vamos ter períodos piores à frente.

Mas mesmo assim Francini acredita na possibilidade de mudanças que surpreendam o mercado.

- Pode acontecer alguma coisa para que não aconteçam os períodos piores. Nós só temos alguns indicadores.

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