A produção industrial brasileira cresceu ao longo de 2013
A produção industrial brasileira caiu 0,2% em novembro sobre outubro, interrompendo três meses seguidos de alta, mas o resultado foi melhor do que o esperado e garantiu expansão de 0,4% na comparação anual. O dado divulgado pelo IBGE nesta quarta-feira, porém, não acalmou parte dos economistas, que segue com previsões negativas para o setor.
– Apesar de o governo ter se movido na direção correta com concessões, esses investimentos ainda vão demorar a maturar. Até lá, a expectativa é de que a indústria continue tendo esse crescimento pífio – avaliou um deles, o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, estimando expansão em 2014 de pouco mais de 1% da produção industrial.
Em novembro, o destaque ficou para a categoria Bens de Capital, uma medida de investimento, que mostrou retração de 2,6% sobre outubro, também quebrando uma sequência de três altas seguidas. Mas sobre novembro de 2012, a categoria teve expansão de 9,6%.
"A contração em bens de capital sugere que o ímpeto por trás dos investimentos pode estar enfraquecendo", disse outro, o diretor de pesquisa econômica do Goldman Sachs para América Latina, Alberto Ramos, em nota.
Mesmo com o forte recuo mensal, o setor de Bens de Capital acumulou uma alta de 14,2% no ano até novembro, depois de ter encerrado 2012 com queda de 11,8%. Segundo o economista do IBGE André Macedo, a queda em novembro foi pontual e está ligada à menor produção de caminhões.
– O resultado (geral da produção industrial) não é tão negativo como parece ser o número final. Foi uma queda muito concentrada – avaliou o economista do IBGE André Macedo, que não integra o grupo dos pessimistas. Ele mesmo ponderou, ainda, que a queda vista na atividade toda em 2012, de 2,6%, não deve ter sido recuperada em 2013.
Pesquisa da agência inglesa de notícias Reuters apontava recuo de 1,05% na variação mensal e de 0,95% na comparação anual e errou nas privisões. O resultado foi melhor do que o esperado e dava sustentação ao mercado de juros, no qual os contratos futuros operavam em alta.
Crescimento
A categoria Bens Intermediários apresentou alta mensal de 1,2% em novembro, a maior desde agosto de 2012 (+2,1%), segundo o IBGE. Sobre um ano antes, essa atividade mostrou expansão de 1,3% em novembro. O bom desempenho está ligado ao maior refino de diesel, gasolina e álcool, a outros produtos químicos e a metalurgia básica.
Entre as atividades pesquisadas pelo IBGE, o destaque ficou para a queda de 3,2% na produção de veículos automotores, o segundo resultado negativo seguido e que devolveu parte do ganho de 9,1% visto em agosto e setembro. Apesar de o resultado da indústria em novembro ter sido melhor que o esperado, ele ainda é um sinal de fraqueza do setor, que vem mostrando nos últimos meses desempenhos erráticos e que dificultam a recuperação da economia como um todo.
A expectativa de economistas segundo a última pesquisa Focus do Banco Central é de que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha crescido 2,28% em 2013, mas deve desacelerar para 1,95% neste ano. Para dezembro, já há indícios um pouco mais animadores para a atividade industrial. A pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) feita pelo Markit apontou retorno à expansão. No Focus, a projeção dos analistas é de expansão da produção industrial de 1,53% em 2013, recuperando-se para 2,20% neste ano.
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