A produção industrial brasileira caiu 0,5% em fevereiro na comparação com o mês anterior, já descontadas as influências sazonais (característica de determinados períodos do ano). A informação foi divulgada, nesta terça-feira, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Dos 27 ramos pesquisados, 13 registraram queda em comparação com janeiro, com destaque para a indústria farmacêutica (-33,2%). O recuo ocorreu após a produção industrial anterior ter registrado um aumento de 1,7% em janeiro. Em relação a fevereiro de 2007, o setor apresentou crescimento de 9,7%, acumulando expansão de 9,2% no primeiro bimestre do ano, em relação ao mesmo período de 2007.
- O dado de fevereiro não é uma reversão da tendência de crescimento da indústria. É uma acomodação em um patamar alto - disse o economista do IBGE Silvio Salles, ao destacar que os indicadores de longo prazo reforçam essa avaliação.
Ao longo de um ano, a atividade acumula alta de 9,2%, a mais expressiva para esse período desde 2000. O índice de difusão da indústria em fevereiro ficou em 65% é o maior desde agosto de 2004.
- Há uma sustentação do patamar da produção da indústria entre o fim do ano passado e esse ano com liderança de bens de capital e bens duráveis - acrescentou Sales.
Analistas das 100 maiores instituições financeiras do país, ouvidos em pesquisa do Banco Central previam, na média, uma retração de 0,50% mês a mês e alta de 9,6% na comparação anual.
Ainda segundo o economista do IBGE, a conjuntura econômica se mantêm favorável para a manutenção da trajetória de expansão do indústria ao longo do ano.
- O mercado interno continua sendo o ponto forte acompanhado de um nível de investimentos que garante a capacidade de oferta. A produção de bens de capital cresce acima da média da indústria - afirmou.
Balança comercial
O superávit da balança comercial brasileira aumentou para US$ 1,012 bilhão em março, ante saldo positivo de US$ 882 milhões em fevereiro, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior nesta terça-feira. Foi o primeiro superávit acima de US$ 1 bilhão neste ano. Em março de 2007, o superávit havia sido de US$ 3,306 bilhões.
O resultado do mês passado decorreu de exportações de US$ 12,6 bilhões e importações de US$ 11,6 bilhões. No ano, a balança acumula superávit de US$ 2,837 bilhão.
Agricultura
No front agrícola, a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Culturas de Inverno reuniu-se, nesta terça-feira, para discutir a situação do mercado do trigo, reajuste dos preços mínimos e custos de produção, entre outros assuntos. A reunião aconteceu no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
São consideradas culturas de inverno trigo, aveia, centeio e cevada e triticale (híbrido de centeio e trigo). Na última safra de trigo, o país colheu 3,8 milhões de toneladas, de acordo com levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), ligada ao Ministério da Agricultura. Segundo informações do ministério, Paraná e Rio Grande do Sul são os principais produtores de trigo, com 88% da produção nacional.
Abastecimento
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) começou a destinar, a partir desta terça-feira, R$ 50 milhões para a aquisição de arroz da Região Sul do país. Desse total, R$ 45 milhões serão para o Rio Grande do Sul e R$ 5 milhões para Santa Catarina. Segundo informações da Conab, nos dois Estados o preço mínimo está cotado atualmente em R$ 22 para a saca de 50 quilos. Com os recursos, que serão aplicados por meio de Aquisição do Governo Federal (AGF), devem ser compradas até 120 mil toneladas do cereal. É a primeira vez no ano que o governo intervém nesse mercado.
As cooperativas e os agricultores interessados em vender o grão devem se cadastrar na superintendência regional da Conab do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.