As montadoras estão encerrando o ano com saldos recordes de produção e de vendas ao exterior. As projeções indicam a continuidade desse crescimento, em 2005, mas em ritmo mais lento. Essa estimativa foi apresentada hoje por Rogelio Golfarb, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Ele analisou que existe uma tendência para que a economia mundial não permaneça tão aquecida. Também observou que as projeções seguem os indicadores divulgados hoje pelo Banco Central, de que haverá um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em nível inferior a 2004, passando de 5% para 3,5% e uma pequena elevação na estimativa anual da taxa básica de Juros, a Selic, de 16,2% para 16,5%.
Por conta dos acordos bilaterais que mantém com o México e a Argentina, bem como dos demais contratos de vendas no exterior, a produção da indústria automobilística atingiu o seu melhor resultado de todos os tempos na história do setor, em novembro, com saldo acumulado no ano de 2 milhões, 20 mil e 704 unidades.
Em dezembro, devem ser produzidos 2,2 milhões de veículos, recorde absoluto e número que supera a meta inicial prevista de 2,1 milhões. Em novembro, foram fabricados 201.340 veículos, total 5,8% superior a outubro e 19,6% maior do que em igual período de 2003. Essa é a segunda melhor marca mensal do ano e o volume mais alto já registrado em comparação com todos os meses de novembro dos anos anteriores. Para 2005, os fabricantes esperam aumentar em 5,4% com 2,3 milhões de unidades.
Segundo Golfarb, as atividades devem continuar mais impulsionadas pelo mercado externo do que pela demanda interna. Ele observou que, da mesma forma que o crescimento do PIB surpreendeu os analistas e autoridades do governo, igualmente, o resultado das exportações do setor neste ano superou as expectativas.
Os números serão recordes, com um saldo de US$ 8 bilhões ante os US$ 7,5 bilhões estimados anteriormente, e o envio de 586.384 veículos para o mercado internacional. Desse total, 28.106 referem-se à comercialização de máquinas agrícolas. O volume financeiro representa um aumento de 45% sobre 2003 ante os 36%, previstos inicialmente. Para 2005, a meta é crescer 7% e atingir em valores algo próximo a US$ 8,6 bilhões.
Já o desempenho do mercado interno ficou aquém do esperado pelo setor. Até novembro, as vendas somavam 1.400.806 unidades, 11,2% a mais do que em igual período do ano passado, e devem fechar o ano com l,540 milhão, alta de 7,8%, em comparação com 2003, mas abaixo do recorde obtido em 1997, quando alcançou 2 milhões, informou Golfarb. A equiparação com o melhor saldo ainda não virá em 2005, conforme acena, ao projetar crescimento de 5,2% e a comercialização de 1,62 milhão.
Na avaliação de Golfarb, "2004 foi um grande passo pois avançou sobre uma base muito deprimida e o desafio agora é transformar esse crescimento em sustentado". Ele afirmou que a falta de um deslanche mais acentuado do mercado interno se reflete nos investimentos. "É um problema para as montadoras porque os investimentos vêm muito ancorados na demanda interna".
Parte da demanda, em rítmo mais lento do que o esperado, conforme apontou, se deve à redução de renda no campo. O preço de importantes commodities como soja, milho e arroz, caiu nas cotações internacionais e isso reprimiu as decisões de compras de máquinas e implementos agrícolas e ainda de caminhões e outros utilitários.
Indústria automobilística mantém crescimento em 2005
Segunda, 06 de Dezembro de 2004 às 17:40, por: CdB