A polícia indonésia ficou somente de retaguarda nesta quarta-feira, quando dezenas de sobreviventes famintos saquearam um depósito de arroz do governo na ilha de Nias, atingida por um terremoto.
Os guardas armados balançavam os braços e gritavam que não havia mais arroz enquanto os moradores da principal cidade da ilha, Gunungsitoli, fugiam com os grãos. Não foram feitos disparos.
- Eles nos tiraram como porcos. Viemos para cá porque estamos com fome e tivemos esse desastre, por favor nos ajudem - disse Abdul Murah Tanjung, 55, muçulmano da cidade de maioria cristã.
- Por favor, senhor, ajude, estamos famintos - implorou outro homem.
Em outras partes da cidade de cerca de 30 mil habitantes, que teve partes totalmente destruídas, as pessoas choravam ao lado de corpos de parentes levados a mesquitas, igrejas e templos depois do terremoto de segunda-feira, de magnitude 8,7. Cerca de 1.000 pessoas podem ter morrido, mas apenas algumas centenas de corpos foram recuperados até agora.
O terremoto aconteceu apenas três meses depois do tremor que provocou um tsunami na região do oceano Índico e que deixou quase 300 mil mortos ou desaparecidos.
Melly Lim, uma senhora de origem chinesa, estava sentada na frente do templo Wihara Dharma, onde 20 corpos foram colocados, entre eles os de sua filha, do genro e de dois netos.
- É o meu sobrinho - disse Laurensia Lim, filha de Melly, apontando para o corpo de uma criança.