Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Indonésia vai às urnas pela 1a. vez na segunda-feira

Domingo, 04 de Julho de 2004 às 10:45, por: CdB

Os indonésios votarão na segunda-feira para eleger seu presidente pela primeira vez de forma direta, com um respeitado ex-general liderando as pesquisas para assumir o governo do país.

Mas se o líder das pesquisas, Susilo Bambang Yudhoyono, ex-ministro chefe da segurança, não conseguir maioria absoluta sobre a atual presidente, Megawati Sukarnoputri, e outros concorrentes, haverá um segundo turno em setembro.

A eleição acontece após uma conturbada transição para a democracia desde que o líder Suharto deixou o poder, em 1998. Desde então, o país muçulmano mais populoso do mundo foi marcado por caos político, crise econômica e ataques de militantes islâmicos ligados à Al Qaeda.

"A eleição direta para presidente coloca a pedra fundamental para a criação de uma genuína democracia presidencial. É um evento enorme," disse William Liddle, especialista em Indonésia da Universidade do Estado de Ohio que monita as pesquisas.

Megawati conseguiu levar estabilidade ao país em seus quatro anos de mandato, mas é criticada por não promover mais crescimento econômico e por não combater a corrupção de maneira mais vigorosa.

Muitos indonésios esperam que o líder das pesquisas, Yudhoyono, general de 54 anos educado nos Estados Unidos, coloque o país rico em recursos na trilha do crescimento, crie empregos e acabe com a corrupção.

Mais de 150 milhões de pessoas podem votar na Indonésia, arquipélago de 17.000 ilhas e 220 milhões de habitantes -- quarto país mais populoso do mundo. Antes, um corpo legislativo escolhia os líderes.

A eleição envolve cinco milhões de trabalhadores e mais de 585 mil postos eleitorais.

As pesquisas mostram Yudhoyono com entre 40 e 45 por cento dos votos, à frente de Megawati, do ex-chefe militar Wiranto e do líder muçulmano Amien Rais. O quinto candidato, o atual vice-presidente, Hamzah Haz, aparece quase sem apoio nas pesquisas. O Instituto de Pesquisa da Indonésia disse que, segundo sua pesquisa, é improvável que Yudhoyono obtenha maioria nesta segunda-feira.

As eleições serão observadas por centenas de monitores estrangeiros, incluindo o ex-presidente dos EUA Jimmy Carter. A comissão eleitoral do país previu que o resultado pode ser divulgado em 10 dias, mas grupos não-governamentais esperam conhecer projeções horas após a eleição.

Os mercados financeiros melhoraram nos últimos dias com o fim da campanha sem violência, mas continuam em alerta para o perigo de enfrentamentos.

Yudhoyono, Megawati e Wiranto são nacionalistas seculares e Rais é um líder muçulmano moderado.

Tags:
Edições digital e impressa