Rio de Janeiro, 03 de Maio de 2026

Índios Xikrin paralisam maior área de exploração da Vale

Índios da comunidade Xikrin, com guerreiros armados, mantêm ocupada desde sábado, a área urbana das instalações da Companhia Vale do Rio Doce em Carajás, no Pará. (Leia Mais)

Quarta, 02 de Novembro de 2005 às 13:17, por: CdB

Índios da comunidade Xikrin, com guerreiros armados, mantêm ocupada desde sábado, a área urbana das instalações da Companhia Vale do Rio Doce em Carajás, no Pará. Eles ameaçam invadir as instalações operacionais e paralisar a produção, informou a Vale em comunicado nos jornais nesta quarta-feira. A maior produtora de minério de ferro do mundo lembra que a produção de Carajás - 34,7 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2005 - é destinada à exportação e a eventual paralisação pode causar impacto na balança comercial brasileira.

A Vale é o maior saldo exportador do país, tendo registrado no primeiro semestre deste ano exportações líquidas (exportações menos importações) de US$ 3 bilhões. Em nota, a empresa questiona "a quem interessa tais movimentos radicais? Governo e empresários não podem ficar parados assistindo à destruição da competitividade da indústria brasileira" e informa que "está adotando as providências judiciais preventivas cabíveis".

Sem especificar as exigências feitas pelos índios para evitar a invasão da mina, a empresa informou que em anos anteriores as exigências passaram por pedidos de "avião bimotor; milhares de litros de gasolina (quando a maioria dos veículos da comunidade utiliza diesel); carros de luxo; contratação de empreiteiras impostas pelas próprias comunidades indígenas para a construção de casas a preços bem acima dos praticados", entre outras.

"São pleitos estranhos que nada têm a ver com a busca de condições dignas de vida para a comunidade, em torno dos quais a CVRD pauta sua atuação voluntária", afirmou a companhia.

A Vale informou que em 2005 já destinou 19 milhões de reais para comunidades indígenas localizadas na área de influência das sua atividades no Pará e no Maranhão. Somente para a comunidade Xikrin foram destinados 6 milhões de reais, segundo a mineradora. Não havia ninguém disponível na Funai para comentar o assunto por causa do feriado de Finados.

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