A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), maior produtora de minério de ferro do mundo, anunciou nesta terça-feira, em nota distribuída aos jornais, que os índios da tribo Guajajara voltaram a ocupar a ferrovia de Carajás, no Maranhão. Já os índios - sem a menor chance de divulgar o seu lado da história para a opinião pública por falta de recursos para se manterem vivos, quanto mais para pagar por uma assessoria de imprensa adequada, e distantes de qualquer meio de comunicação capaz de apurar as principais reivindicações da tribo - não se pronunciaram. Há, no entanto, denúncias junto à Fundação Nacional do Índio (Funai), quanto ao estado de miséria e abandono em que vivem os guajajaras.
"A CVRD reafirma que as comunidades indígenas da região não têm qualquer reivindicação em relação à companhia. As lideranças indígenas voltaram a promover a invasão e paralisaram a Estrada de Ferro Carajás (EFC) para exigir a melhoria do atendimento de saúde promovido pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa)", informou a Vale em comunicado. É a segunda vez em uma semana que a via de transporte de carga e passageiros é interditada pelos indígenas.
Em outra nota emitida no início da noite, a mineradora informou que decisão da 6ª Vara Federal do Maranhão determinou a imediata desocupação da EFC pelos índios. Em 7 de fevereiro, índios Guajajaras tomaram como reféns quatro funcionários da Vale para forçar uma negociação com a Fundação Nacional do Índio (Funai) e a Funasa, segundo a Vale. Os empregados foram libertados dois dias depois.
A EFC transporta cerca de mil passageiros diariamente e liga a maior província mineral do Brasil, as minas de Carajás, no Pará, ao Complexo Portuário e Industrial de Ponta da Madeira, em São Luis, Maranhão. A estrada de ferro é uma concessão federal operada pela Vale.
No final do ano passado, índios Krenak invadiram outra ferrovia da Vale, a Vitória-Minas, exigindo investimentos sociais da empresa na tribo. A parada de dois dias no transporte acarretou perdas de US$ 10 milhões à empresa. Em novembro, a tribo Xikrin ameaçou invadir as instalações operacionais da companhia em Carajás e paralisar a produção, mas nada aconteceu.
Os índios, sem a menor chance de divulgar o seu lado da história para a mídia, por falta de uma assessoria de imprensa, e distantes de qualquer meio de comunicação capaz de apurar as principais reivindicações da tribo, não se pronunciaram. Há, no entanto, denúncias junto à Fundação Nacional do Índio (Funai), quanto ao estado de miséria e abandono em que vivem os guajajaras.