Rio de Janeiro, 21 de Março de 2026

Índios Terena ocupam principal rodovia do Centro-Oeste

Índios da tribo Terena no Mato Grosso do Sul bloquearam a rodovia BR-163, perto de Campo Grande, ao longo de toda esta segunda-feira, para reivindicar a agilização de um processo na Justiça Federal relacionado à demarcação de terras no Estado. (Leia Mais)

Segunda, 06 de Novembro de 2006 às 20:35, por: CdB

Índios da tribo Terena no Mato Grosso do Sul bloquearam a rodovia BR-163, perto de Campo Grande, ao longo de toda esta segunda-feira, para reivindicar a agilização de um processo na Justiça Federal relacionado à demarcação de terras no Estado. A BR-163 corta o Estado de Mato Grosso do Sul e é uma das mais importantes ligações entre os Estados do Centro-Oeste/ Norte brasileiro e os portos de exportação de grãos no sul do país.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal e a Funai (Fundação Nacional do Índio), cerca de 240 índios bloqueiam a estrada nos dois sentidos utilizando troncos e pneus. A assessoria de imprensa da polícia informou que há vários quilômetros de congestionamento em ambos os sentidos da BR-163.

- É uma rodovia importante para o fluxo de cargas não apenas do agronegócio, mas para toda a sociedade. Nessa época de safra sobe muito insumo para o Mato Grosso pela estrada - disse Léo Brito, presidente da Comissão Nacional de Assuntos Fundiários da Confederação Brasileira de Agricultura e Pecuária (CNA).

Brito, ex-presidente da Famasul (Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul), disse que ainda é cedo para calcular eventuais prejuízos.

- Nesse país, infelizmente essas são as formas de se reivindicar. Estamos aguardando - disse ele.

Em meados deste ano, os produtores de grãos do Centro-Oeste realizaram vários bloqueios de estradas para chamar a atenção do governo federal à crise do agronegócio.

Reunião

Os índios realizaram, ainda nesta segunda-feira, uma reunião com o Ministério Público Federal para pressionar por uma decisão judicial sobre as Terras do Buriti, localizadas em Sidrolândia e Dois Irmãos do Buriti, ao sul/sudoeste de Campo Grande. Eles argumentam que já passou o prazo dado pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região para o anúncio de uma sentença sobre as terras. Dizem que estudos antropológicos comprovam que as terras hoje ocupadas por fazendas são indígenas.

- Os índios querem a retomada de suas terras - disse o chefe do setor de Patrimônio da Funai de Campo Grande, Alexandro Pinto.

Nas terras próximas às áreas reivindicadas vivem hoje entre 3,8 mil e 4 mil índios. Os índios não estipularam uma data para encerrar o protesto, mas, segundo o representante da Funai, há uma expectativa de que a reunião com integrantes do Ministério Público Federal facilite os entendimentos para o fim da manifestação.

Tags:
Edições digital e impressa