No dia seguinte à decisão do Supremo Tribunal Federal, que determinou a suspensão da Operação Upatakon 3, até o julgamento de mérito de ações que tratam da homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, o clima no Conselho Indígena de Roraima , que cobrava a retirada dos arrozeiros da área, ainda é de fazer com que comunidades aguardem em paz a manifestação final da Justiça. Mas um resultado desfavorável poderá acirrar os ânimos.
- Vamos fechar toda a terra e reunir muita gente. Queremos apoio dos xavantes e vamos retomar nossas casas. Se querem desrespeitar os povos indígenas, vamos desrespeitar as autoridades - ameaçou o coordenador geral do CIR, Dionito José de Souza.
Dinonito demonstrou irritação, diante dos jornalistas, com a vitória parcial dos arrozeiros, que ganharam mais tempo para permanecer na terra indígena.
- Os arrozeiros quebram pistas na cara do governo federal. Até parece que queimar casa não é crime, destruir pontes não é crime, soltar bombas não é crime - reclamou Dionito, em alusão a atos de vandalismo que ele atribui aos que resistiam em deixar a área.
A Polícia Federal já informou que a apuração dos crimes de depredação do patrimônio público continua, independentemente da suspensão da operação de desintrusão. Dionito considerou o voto do ministro Carlos Ayres Brito, na concessão da liminar, um indicativo de que o posicionamento do relator no mérito será favorável aos arrozeiros. O argumento usado pelo ministro de que os arrozeiros ocupam apenas 1% da área de 1,7 milhão de hectares não é suficiente para o que o CIR aceite a permanência dos produtores.
No documento intitulado A Luta Continua até o Último Índio!, comunidades ligadas ao CIR avisam: "Chega de sofrimento, já esperamos demais! Tivemos calma, muita paciência e confiança nas autoridades, mas agora basta!".