Rio de Janeiro, 01 de Fevereiro de 2026

Índios tembés denunciam ameaças de madeireiros no Pará

Reação da tribo Tembé, no leste do Pará, ao sistemático roubo de madeiras da reserva, fez com que madeireiros ameaçassem de morte o cacique Sérgio Mutti Tembé. "Eles querem se vingar da gente porque fizemos a Polícia Federal explodir com dinamite duas pontes de madeira da estrada por onde a nossa madeira era roubada", denuncia o cacique

Sexta, 21 de Setembro de 2001 às 14:54, por: CdB

Os índios tembés, do leste do Pará, denunciaram nesta sexta-feira à direção da Funai em Belém que estão sendo ameaçados de morte por madeireiros que invadiram suas terras para derrubar a floresta da reserva e de lá retirar toda a madeira. Ele disse que os madeireiros estão armados, construíram outra ponte num atalho da estrada e fazem o transporte das árvores derrubadas por dentro de um assentamento do Incra. Outros caciques relataram que o clima na aldeia é de revolta. Guerreiros mais jovens já começaram a se pintar para a guerra. "Para não morrer, estamos dispostos até a matar", promete Clemente Tembé. Segundo Kelé Tembé, Jacinto Kaapor e Naldo Tembé, embora sejam os legítimos donos da terra, os índios estão sendo agredidos em seus direitos. "É madeireiro, é invasor de terra, todos querem mandar na nossa aldeia", desabafou Kelé. Hoje os índios pediram a ajuda dos procuradores da República Felício Pontes Júnior e Ubiratan Cazetta, além da Polícia Federal, para que os madeireiros sejam novamente retirados da área. De acordo com a Funai, a reserva é demarcada e homologada. Localizada entre os municípios de Santa Luzia, Nova Esperança do Piriá, Garrafão do Norte, Vizeu e Paragominas, a reserva possui 179 mil hectares e abriga 1.200 índios de vários tribos. O senador Ademir Andrade (PSB) informou que ainda nesta sexta-feira terá uma reunião com o ministro da Justiça, José Gregori, para tentar impedir um confronto entre índios e madeireiros. O presidente do Sindicato das Serrarias de Paragominas, Justiniano Neto, afirmou que os madeireiros têm áreas próprias para fazer manejo florestal. E condenou a exploração ilegal de madeira em área indígena.

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