Foram libertados na segunda-feira, por volta das 22h, os dois funcionários da Companhia Paranaense de Energia (Copel) mantidos reféns desde a última quinta-feira por índios da etnia Kaingang da Reserva Barão de Antonina, em São Jerônimo da Serra, no norte do Paraná.
José Almir Torres Quintanilha, e seu irmão, Valmiron Torres Quintanilha, foram feitos reféns quando faziam o trabalho de inspeção de rotina na aldeia. O antropólogo Alexandre Húngaro da Silva foi ao local no dia seguinte tentar uma negociação e também foi impedido de deixar a reserva. Ele também foi liberado pelos índios.
Segundo a assessoria de imprensa da Copel, os indígenas disseram que a ação era uma forma de garantir o prosseguimento das negociações com a estatal para o pagamento de indenização pelo uso de terras da reserva, na qual estão instaladas 14 torres de transmissão de energia. A companhia paga R$ 25 mil por mês pelo uso da reserva, e, segundo a assessoria, o pagamento não está atrasado.
Os reféns foram libertados após a ida até a aldeia de dois técnicos da Fundação Nacional do Índio (Funai). Eles levaram um documento garantindo a antecipação para a tarde de hoje, de uma reunião em Londrina para tratar do assunto, que estava agendada para quarta-feira. Participam do encontro representantes da Copel, do Ministério Público Federal e da Funai. O impasse teria começado porque essa reunião, anteriormente agendada para o último dia 18, foi cancelada. Os índios não foram informados sobre isso e compareceram ao local marcado.
Valmiron Torres Quintanilha disse nesta terça-feira à Agência Brasil que foi bem tratado e que não sofreu nenhuma violência física.
– Apenas ameaçavam a gente, mas entendo que eles lutavam pelo que acreditam ser o direito deles – disse.
Ele contou que durante os cinco dias em que ficaram reféns foram obrigados a fazer várias ligações clandestinas dentro da aldeia.
– Ficávamos com receio de acontecer alguma coisa com a gente porque era toda a comunidade decidindo, eles não ouviam mais o que o cacique dizia. Todas as propostas eram analisadas e as decisões tomadas após muita discussão entre eles – lembrou Quintanilha.
Ele disse que já está pronto para voltar ao trabalho nesta terça-feira, mas que seu irmão, José Almir Torres Quintanilha, está muito assustado e pretende voltar para o interior de Goiás com a família.
– Lá é mais tranqüilo. Aqui estamos vivendo numa área de muita tensão. Mas, graças a Deus, rezamos muito e tudo acabou bem – afirmou.
Índios libertam reféns em reserva no Paraná
Terça, 24 de Março de 2009 às 07:08, por: CdB