Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Índios fazem procurador de refém

Quinta, 15 de Janeiro de 2004 às 19:36, por: CdB

O procurador da República Ramiro Rockenbach da Silva, 25, e mais oito pessoas ficaram reféns por três horas dos índios das etnias guarani e caiuá que mantêm invadidas desde dezembro 14 fazendas em Japorã (464 km de Campo Grande), em Mato Grosso do Sul.

A informação de que o procurador ficou refém foi relatada por uma liderança indígena.Além do procurador, foram feitos reféns dois funcionários da Funai, três jornalistas, dois funcionários da Procuradoria da República e um motorista.

O grupo tinha ido a uma das propriedades invadidas para informar sobre a decisão do juiz federal Odilon de Oliveira, 54, que determinou a desocupação das áreas ontem. Cerca de 3.000 índios fizeram as invasões.

- Eles vieram tentar enganar a comunidade [indígena]. Aí a comunidade pegou eles e deixou reféns. Então eles confessaram que estão a nosso favor - afirmou à Agência Folha o índio Gumercindo Fernandes, 38.

Fernandes é um contato da Funai com os líderes dos índios. Ele falou por telefone celular com a reportagem.A Funai (Fundação Nacional do Índio) foi notificada nesta quinta-feira, segundo a Justiça Federal, para desocupar a área no prazo de três dias úteis, sob pena de multa diária de R$ 2.000.

A Agência Folha não conseguiu falar com o procurador da República feito refém. Ele trabalha em Dourados (220 km de Campo Grande) e estava em viagem na rodovia de volta à cidade.Sua assessoria disse que a condição do procurador na fazenda não foi a de um refém.

A Agência Folha apurou que Rockenbach disse aos índios que "vai fazer o possível para eles ficarem nas terras [invadidas]". O procurador afirmou ainda para os índios que não concorda com a decisão da Justiça. As lideranças só liberaram o procurador após receberem a promessa de que o presidente da Funai, Mércio Gomes, visitará hoje a fazenda invadida.

Gomes tem uma reunião marcada para hoje à tarde em Campo Grande com o governador José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT. Nesta quinta o governador disse que a Funai traz índios do Paraguai para ajudar nas invasões de terras.

O chefe de Patrimônio da Funai em Amambai, Cleomar Machado, nega que isso aconteça. Segundo ele, falta estrutura até para atender as aldeias, quanto mais para buscar índios no país vizinho.A reportagem tentou por duas vezes entrevista com Gomes. A assessoria afirmou que telefonaria de volta, mas não havia feito contato até as 19h20 (horário de Brasília).

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