Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

Índios e sem-teto são expulsos com violência de terra no Amazonas

Um grupo de cerca de 200 sem-teto, a maioria índios e ribeirinhos, foi expulso à força por um grupamento da Polícia Militar (PM) do Amazonas. A Corregedoria da PM instaurou inquérito, na tarde desta terça-feira, para saber o motivo que levou a tropa a usar de violência na expulsão dos ocupantes de uma faixa de terra, aparentemente de propriedade privada, na localidade de Lagoa Azul, zona rural de Manaus. (Leia Mais)

Terça, 11 de Março de 2008 às 18:09, por: CdB

Um grupo de cerca de 200 sem-teto, a maioria índios e ribeirinhos, foi expulso à força por um grupamento da Polícia Militar (PM) do Amazonas. A Corregedoria da PM instaurou inquérito, na tarde desta terça-feira, para saber o motivo que levou a tropa a usar de violência na expulsão dos ocupantes de uma faixa de terra, aparentemente de propriedade privada, na localidade de Lagoa Azul, zona rural de Manaus.

O grupo que sofreu o ataque da PM era composto, além dos sem-teto, de 105 indígenas, de sete etnias diferentes, que estavam acampados na área de 180 mil m2. Uma comissão da PM, horas antes da batalha campal, avisou as famílias que o terreno seria desocupado. Diante da ameaça, um grupo de cerca de 30 índios optou por resistir, armados de arcos e flechas, contra um batalhão de 150 homens da PM, equipado com bombas de gás lacrimogêneo e com a o reforço de cães e da cavalaria.

Após o cerco efetuado pela PM, os ocupantes da terra se viram acuados e o desespero tomou conta dos assentados. Na correria, mulheres e crianças foram as principais vítimas. A índia Many Sateré, com o filho no colo, ainda, tentou sozinha impedir o avanço das tropas, mas foi rechaçada pela força dos soldados. Gritos de desespero e de dor foram ouvidos e alguns indígenas esboçaram uma reação e atiraram algumas flechas contra os pelotões que avançavam, mas foram neutralizados pela tropa. Um trator entrou, em seguida, para derrubar as tendas e barracas dos sem-teto. Ao todo 17 pessoas foram detidas - entre elas, quatro índios - e levadas para a prisão em Manaus. .

Em nota, após o incidente, o Comando da Polícia Militar do Amazonas alegou que policiais federais e promotores do Ministério Público Estadual (MPE); além de funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai) foram comunicados da operação, mas nenhum deles esteve presente à expulsão dos indígenas e desalojados.

Em entrevista a jornalistas locais, o cacique Luiz Sateré, de 49 anos, líder da etnia seteré-mawé, denunciou os "excessos da PM" à Câmara de Vereadores de Manaus, à Assembléia Legislativa do Estado e ao Congresso Nacional. Ele conta que os soldados agiram com extrema truculência, sem sequer mostrar o mandado de reintegração de posse.

- Chutaram uma grávida como chutam uma bola. Desceram o cacetete, sem piedade, indistintamente - afirmou.

Segundo o líder indígena, a área toda foi grilada de sua tribo. Sem documentos que comprovassem a posse do terreno, as famílias que lá habitavam foram expulsas por ordem do Tribunal de Justiça do Amazonas, com base em título de terra apresentado pelo engenheiro civil Mitishu Inoue.

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