Índios caingangue e guarani bloquearam ontem a BR-373, principal ligação do sudoeste do Paraná à BR-277, na altura de Chopinzinho (400 km de Curitiba).
Eles exigem que três prefeituras do Estado, Chopinzinho, Coronel Vivida e Manguerinha, liberem recursos do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) ecológico para que façam o plantio da safra de verão.
O ICMS ecológico é um mecanismo que destina parte do imposto aos municípios em razão de sua adequação a níveis estabelecidos de preservação ambiental. Dos 17 mil hectares da reserva onde vivem os povos guarani e caingangue, 11,3 mil hectares estão em Chopinzinho.
Os índios fizeram bloqueios a partir das 8h nos km 386 e 460 da BR-373, impedindo a ligação entre as cidades de Coronel Vivida e Candói. A Polícia Rodoviária Estadual informou que, no final da tarde, só era permitida a passagem de ambulâncias pelas barreiras, onde estão mais de 110 índios.
Segundo a polícia, a alternativa à BR-373 é a BR-158, mas o trajeto aumenta 50 km para quem se desloca do sudoeste do Paraná para a BR-277.
O procurador da Funai (Fundação Nacional do Índio) Derli Fiuza disse que só hoje poderia chegar ao local para negociar o desbloqueio da rodovia.
— Não tenho amparo legal para atender às reivindicações dos índios — disse o prefeito de Chopinzinho, Vanderlei Crestani (PSDB). Segundo ele, decisão de 2001 do STF (Supremo Tribunal Federal) não permite o repasse do ICMS ecológico para reservas ambientais.
Crestani disse que há um mês fez um acordo com os índios para executar um plano de trabalho, mas que eles ficaram impacientes com a demora na liberação de recursos. O prefeito disse que serão liberados R$ 180 mil para a comunidade indígena fazer o plantio de verão.