Os índios kaiowás-guaranis que ocupam oito fazendas e seis sítios na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai apontaram armas de fogo na direção de um helicóptero da Polícia Federal que sobrevoava a região neste sábado.
Peritos da PF estão fazendo um mapeamento das áreas invadidas com o uso de equipamentos de precisão, a pedido da Justiça Federal de Dourados. O trabalho é necessário para a elaboração da estratégia para uma eventual operação de desocupação das fazendas.
O superintendente da PF, Wantuir Jacini, já havia constatado, nesta sexta-feira, que os índios estão armados. Ele sobrevoava a área invadida na companhia do juiz deferal Odilon de Oliveira quando, num vôo rasante, um índio mirou um revólver ou pistola contra o helicóptero. O agente federal, que dava cobertura aos passageiros atado à porta da aeronave imediatamente apontou a metralhadora em direção ao índio. O superintendente gritou ao policial para que não disparasse.
- Foi um momento de muita tensão - contou o juiz.
A posse de armas de fogo entre as duas partes está sendo considerada na análise dos pedidos de reintegração de posse das áreas invadidas.
- Temos informações de que também os fazendeiros estão armando jagunços no lado paraguaio - disse.
O pedido refere-se a cinco das fazendas invadidas e o juiz pretende decidir o caso na terça-feira. Neste sábado, advogados dos fazendeiros protocolaram petições no Fórum não concordando com a prazo de 10 dias proposto pelos índios para a retirada de animais e bens das fazendas. Eles pediram o julgamento imediato das reintegrações.
Oliveira, que na sexta manteve audiência com os índios na própria fazenda invadida, volta a se reunir com os fazendeiros na terça. Ele pretende, ainda, retornar à fazenda para um novo contato com as lideranças indígenas e pediu paciência às partes.
- A questão é grave e qualquer decisão apressada pode resultar em derramamento de sangue - disse.