Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Índios apontam armas de fogo para helicóptero da PF

Sábado, 10 de Janeiro de 2004 às 13:28, por: CdB

 Os índios kaiowás-guaranis que ocupam oito fazendas e seis sítios na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai apontaram armas de fogo na direção de um helicóptero da Polícia Federal que sobrevoava a região neste sábado.

Peritos da PF estão fazendo um mapeamento das áreas invadidas com o uso de equipamentos de precisão, a pedido da Justiça Federal de Dourados. O trabalho é necessário para a elaboração da estratégia para uma eventual operação de desocupação das fazendas.

O superintendente da PF, Wantuir Jacini, já havia constatado, nesta sexta-feira, que os índios estão armados. Ele sobrevoava a área invadida na companhia do juiz deferal Odilon de Oliveira quando, num vôo rasante, um índio mirou um revólver ou pistola contra o helicóptero. O agente federal, que dava cobertura aos passageiros atado à porta da aeronave imediatamente apontou a metralhadora em direção ao índio. O superintendente gritou ao policial para que não disparasse.

- Foi um momento de muita tensão - contou  o juiz.

A posse de armas de fogo entre as duas partes está sendo considerada na análise dos pedidos de reintegração de posse das áreas invadidas.

- Temos informações de que também os fazendeiros estão armando jagunços no lado paraguaio - disse.

O pedido refere-se a cinco das fazendas invadidas e o juiz pretende decidir o caso na terça-feira. Neste sábado, advogados dos fazendeiros protocolaram petições no Fórum não concordando com a prazo de 10 dias proposto pelos índios para a retirada de animais e bens das fazendas. Eles pediram o julgamento imediato das reintegrações.

Oliveira, que na sexta manteve audiência com os índios na própria fazenda invadida, volta a se reunir com os fazendeiros na terça. Ele pretende, ainda, retornar à fazenda para um novo contato com as lideranças indígenas e pediu paciência às partes.

- A questão é grave e qualquer decisão apressada pode resultar em derramamento de sangue - disse.

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