Rio de Janeiro, 24 de Outubro de 2026

Índios ameaçam ocupar área incendiada se não houver demarcação

Os índios guarani da tribo Tekoá Itarypu, que tiveram ocas de sua aldeia incendiadas no último dia 18, disseram na última sexta-feira que, caso não haja a demarcação das terras pela Fundação Nacional do Índio (Funai), em 12 dias, um grupo de cerca de 800 índios vai ocupar a área. A aldeia fica em Camboinhas, região oceânica de Niterói (RJ). (leia mais)

Domingo, 27 de Julho de 2008 às 06:58, por: CdB

Os índios guarani da tribo Tekoá Itarypu, que tiveram ocas de sua aldeia incendiadas no último dia 18, disseram na última sexta-feira que, caso não haja a demarcação das terras pela Fundação Nacional do Índio (Funai), em 12 dias, um grupo de cerca de 800 índios vai ocupar a área.

A aldeia fica em Camboinhas, região oceânica de Niterói (RJ). Antes do incêndio, menos de 40 pessoas ocupavam o espaço desde março deste ano.


Para ocupar a área, no Sítio Arqueológico de Itaipu, os índios alegaram que, no local, há um cemitério de seus ancestrais. A presença deles na região gerou polêmica entre os moradores do bairro, considerado nobre. Eles temem ter seus imóveis desvalorizados com o novo assentamento.


O cacique da tribo, Darci Tupã de Oliveira, garante que os próprios índios irão "demarcar" a área, caso a Funai não cumpra o prazo estipulado pelo grupo.

- se eles não fizerem em 12 dias, os próprios indígenas terão que fazer a demarcação. Nós vamos cercar o local - afirmou.


O representante da Funai no Rio, que acompanha o caso, Cristino Machado, disse que a documentação está sendo avaliada. Segundo ele, está sendo elaborado um laudo, para dar prosseguimento no processo de demarcação da terra. Ele garantiu que, na próxima segunda-feira (28), um técnico irá à aldeia avaliar a situação.


O advogado do Centro de Etno-Conhecimento Sócio-Cultural e Ambiental Caueré, Arão da Providência, disse que os índios têm direito de permanecer no local. “Legalmente e juridicamente, os laudos, os registros do Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Natural], não deixam nenhuma dúvida quanto à existência de um cemitério indígena no local. Inclusive as peças que foram retiradas dali guarnecem o Museu Nacional de Antropologia de Itaipu. Quem tem que cuidar de terra indígena é indígena, precisamos proteger as culturas originárias. A nossa cultura ainda não morreu”, alegou o advogado.


Na última sexta-feira, um grupo de artistas realizou um ato público em apoio aos índios guaranis. Participaram da manifestação os atores Osmar Prado, Priscila Camargo, Antônio Pitanga, dentre outros. O grupo se comprometeu a apoiar a luta dos indígenas pela demarcação das terras.

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