Rio de Janeiro, 15 de Maio de 2026

Índio macuxi é assassinado em fazenda de Roraima

O indígena Macuxi, Aldo da Silva Matos, da comunidade de Lage, em Roraima, desapareceu no dia 2 de janeiro, depois de se dirigir à Fazenda Retiro, localizada na terra indígena Raposa/Serra do Sol, onde foi buscar um bezerro de sua propriedade. Nesta quinta-feira (09/01) o corpo do indígena foi encontrado enterrado numa cova rasa à 1.500 metros da sede da fazenda. (Leia Mais)

Quinta, 09 de Janeiro de 2003 às 16:00, por: CdB

A comunidade indígena suspeita que o crime tenha sido cometido por dois empregados da fazenda que estão foragidos. O proprietário da fazenda, Francisco das Chagas de Oliveira da Silva, é reconhecido como inimigo dos índios e responde judicialmente por tentativa de homicídio contra outro indígena Macuxi. No dia 6, o Conselho Indígena de Roraima (CIR) solicitou providências a Polícia Federal e a Funai/RR. O delegado da Polícia Federal não ouviu depoimentos e impediu que os índios acompanhassem as buscas por Matos e até ontem não nada havia sido apurado. Por sua vez, o fazendeiro que é vereador do município de Uiramutã, acionou a Polícia Militar para fazer a sua segurança. O Comando da PM enviou 30 policiais do Grupo de Operações Táticas Especiais (Gate) que estão no interior da fazenda. O CIR está solicitando do Ministério da Justiça o envio de agentes da Policia Federal para que faça a remoção do corpo e proceda as perícias necessárias ao esclarecimento do crime. Além disso, solicitará também a retirada imediata do fazendeiro da área indígena para evitar novas violências por parte dos invasores. A terra indígena Raposa/Serra do Sol foi demarcada em 1998 e aguarda apenas a assinatura do decreto de homologação pelo presidente da República. A Funai já está procedendo a retirada dos invasores, com o levantamento das benfeitorias. Alguns deles resistem em desocupar a área e o clima é de permanente tensão na região. O Cimi espera do novo governo, providências para que sejam punidos os responsáveis por mais esta violência e que conclua, de uma vez por todas, a homologação e desintrusão da terra indígena Raposa/Serra do Sol, como um primeiro ato simbólico de compromisso com os direitos dos povos indígenas no Brasil. FORMAÇÃO CONSTANTE A diversidade e a abrangência da causa indígena exige formação e qualificação permanente dos que querem fazer parte desta luta. Frente a esta realidade, o Cimi promove anualmente, desde a década de 80, cursos de formação para seus missionários. Durante os dias 09 a 30 de janeiro de 2003, cerca de 60 missionários vão estar reunidos no Centro de Formação Vicente Canhas, no Curso de Formação Básica, divididos nas 1ª e 2ª etapas. O novo cenário político, com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, indica que várias mudanças podem acontecer no país, dentre elas na política indigenista, indicando também que a formação dos que querem atuar junto aos povos indígenas na luta pelos seus direitos, deve ser intensificada. O Curso de Formação Básica propicia subsídios e instrumentos necessários à compreensão da realidade indígena e indigenista do país, para os novos missionários. Durante o curso, os novos integrantes da entidade terão estudos sobre história do Cimi e do movimento indígena, teologia, antropologia, direitos indígenas, política indigenista, análise de conjuntura e metodologia de planejamento, coordenados por especialistas de cada área.

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