Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Indignação na Europa com agências de risco

Sexta, 08 de Julho de 2011 às 08:12, por: CdB

Os europeus estão indignados com os ataques desta semana da agência de riscos Moody's contra Portugal. A agência, cúmplice da aventura especulativa norte-americana que produziu a maior crise financeira dos últimos 100 anos, rebaixou a classificação da dívida de quatro bancos portugueses e colocou os demais em perspectiva negativa, além de reduzir a dívida soberana do país em quatro graus.

A indignação é geral. Toda Europa acusa a Moody's de alimentar a especulação e assumir uma atitude antieuropeia. A nota da agência levou à disparada da taxa de risco do país, derrubando todo esforço e sacrifício do ajuste fiscal europeu.

Ontem, o diretor-gerente do Banco de Compensações Internacionais (BIS) e ex-presidente do Banco Central da Espanha, Jaime Caruana, entrou no debate. Defendeu a criação pelos países de agências próprias de qualificação de riscos e lembrou que as regras da Basileia III visam proporcionar um maior número possível de alternativas em relação à atual "dependência mecânica" de agências como a Moody's.

Protestos contra agência se estendem por toda a Europa

A agência também considerou suscetíveis à ajuda externa, por conta de dificuldades financeiras, cerca de 26 entidades europeias das 91 que avaliam as provas de esforço da Autoridade Bancária Europeia (EBA). A entidade mede a capacidade de resistência do capital dos bancos e os protestos contra ela também se estendem por toda a Europa.

A Moody's argumenta que tomou esta decisão frente ao receio de Portugal de não cumprir suas metas de redução do déficit e da dívida, conforme firmado com a União Europeia e com o FMI em relação ao empréstimo de € 78 bilhões.

Segundo a agência, talvez o país precise de um segundo pacote de empréstimos internacionais antes de conseguir regressar aos mercados. Também reafirmou a "possibilidade crescente de a participação dos investidores privados ser imposta como pré-condição".

Reação


Autoridades e membros da Comissão Europeia enfatizaram o "comportamento questionável" das agências de rating. "O momento da decisão da Moody's não é somente questionável, mas é também baseado em cenários absolutamente hipotéticos. É um episódio infeliz e levanta, mais uma vez, a questão do comportamento das agências de rating", disse o porta-voz da Comissão, Amadeu Altafaj.

Já o presidente da Comissão, José Manuel Barroso, afirmou que a decisão soma-se à especulação sobre a dívida da Zona do Euro e que a decisão de uma agência "não fornece clareza", apontando que eles "adicionaram mais um elemento especulativo à situação". Barroso também defendeu a criação de agências próprias de risco.

Está posto, portanto, o debate sobre a criação de agências de riscos próprias na pauta mundial. Uma lição, aliás, que o Brasil precisa levar a sério e rápido, porque essas agências são hoje aves de rapina que precisam ser abatidas, já que trabalham diretamente para a economia da especulação.

O fato é que as agências de riscos constituem um cartel poderoso hoje. Standard & Poor's, Moody's y Fitch controlam mais de 90% do mercado de qualificação de empresas e países. E, pior, são os próprios bancos centrais que dão força a elas exigindo suas qualificações de crédito.

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