Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Indígenas de Puno conquistam revogação da concessão mineira de Santa Ana

Segunda, 27 de Junho de 2011 às 12:44, por: CdB

Após41 dias de resistência contra o projeto mineiro Santa Ana, na região de Puno, aosul do Peru, os indígenas aymara e quéchua desocuparam hoje (27) a ponteinternacional de Desaguadero, que liga o país à Bolívia. A decisão foi tomadaontem, em assembleia, devido à revogação do Decreto Supremo 083 (que outorgava a concessão a Santa Ana), acertadaem reunião com o governo.

Os indígenas tambémconseguiram que o Executivo estabelecesse uma moratória de concessões mineiras naregião e que as operações extrativistas fossem condicionadas a consultas àscomunidades. Além disso, o governo baixou um decreto em que declara comoprioritária a limpeza do rio Ramis, contaminado por substâncias tóxicas usadasna mineração informal.

Contudo, a demanda de quetodas as concessões na região fossem anuladas ainda não foi atendida e ficarápara o governo do presidente eleito, Ollanta Humala. A comunidade deu um prazode 30 dias a Humala – a contar de 30 de julho – para que atenda ao restante dasreivindicações.

De acordo com o dirigente Walter Aduviri, osindígenas exigem ainda a reestruturaçãodo Escritório de Prevenção de Conflitos Sociais e do Ministério de Energia eMinas (Minem). Também demandam que o escritório que avalia os Estudos deImpacto Ambiental seja um ente independente do Minem, o qual acusam decorrupção.

Violência

No último dia 24, nomarco da resistência à mineração, manifestantes da província de Azángaro, emPuno, entraram no aeroporto da cidade de Juliaca e foram alvejados a tiros porpoliciais. Seis pessoas morreram no confronto.

Em comunicado, aCoordenadora Andina de Organizações Indígenas (Caoi) destaca que os conflitosna região se arrastam há muitos anos, e, devido à omissão, o governo tem culpanas recentes mortes de manifestantes.

"Porque os governos nuncarecorreram ao diálogo para resolver as demandas. Quando o fizeram, instalarammesas com representantes sem poder de decisão e os acordos nunca se cumpriram.Porque os governos no Peru, desde sempre, só sabem responder às demandas eprotestos populares com bala”, denunciaram.

A coordenadora exigepunição para o presidente Alan García e seus ministros pelos crimes de Bagua(massacre na Amazônia peruana, que deixou 33 mortos há dois anos), Puno e daregião de Huancavélica (onde três camponeses foram assassinados recentemente).

Para Humalla, a Caoi adverte que osconflitos sociais se tratam de "um problema estrutural, que exige a mudança deum modelo neoliberal extrativista, depredador, saqueador, criminalizador, porum de equidade, de relação harmônica com a natureza, de respeito à vida”.

No mesmo sentido, a Confederação Nacional deComunidades Afetadas pela Mineração (Conacami, na sigla em espanhol), em nota,considera lamentável a repressão ocorrida em Juliaca. "(os fatos) não são senãouma mostra a mais da política neoliberal, e repressiva do governo aprista, quelonge de buscar cautelar e defender o povo, se converteu em um guardião dosinteresses das empresas mineiras”, enfatizam.

Aconfederação declarou apoio à invalidação do Decreto Supremo nº 083-2007, quepermite concessões a menos de 50 km da fronteira, e exigiu "uma atenção maishumana aos conflitos (...) buscando não criminalizar aos defensores do meioambiente”, finalizam.

Com informações de mapuexpress.nete La Republica
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