Rio de Janeiro, 17 de Outubro de 2026

Indígenas de Cherán completam quatro meses de resistência contra madeireiros

Quarta, 17 de Agosto de 2011 às 12:43, por: CdB

Cansadosde ver seus bosques serem destruídos por madeireiros ilegais e pelo crimeorganizado, os indígenas purépechas, no município de Cherán, estado mexicano deMichoacán, resistem com barricadas e mais de 100 fogueiras, em cada esquina, desdeo dia 15 de abril.

Emblog destinado a divulgar suas ações, os indígenas explicam que lutam contra osmadeireiros e o crime organizado, que desde 2007 já roubaram 80% da madeira dolocal, ou seja, 20 mil dos 28 mil hectares.

Nodia 15 de abril, os perépechas perceberam que a situação estava afetandoinclusive as nascentes dos rios, pondo em risco os recursos hídricos. Toda acomunidade, de 20 mil pessoas, armou barricadas e fez fogueiras e, logo demanhã, impediu o acesso de caminhões e rendeu cinco madeireiros, soltos diasdepois. Até agora, o conflito deixou mais de cinco desaparecidos, cincoassassinados e muitos feridos.

Emdecorrência das ameaças dos madeireiros, crianças e adolescentes tiveram aulasem volta das fogueiras durante todo este período. Segundo a secretária deEducação do Estado, Graciela Andrade García Peláez, as escolas devem reabriraté o final do mês.

A resistênciase dá coletivamente e os indígenas analisam que acabou por reavivar aconvivência comunitária. "(…) a história deste povo escreve esse mesmo povo,que desde a data decisiva, e sem faltar uma só vez com suas noites, mantémguardas permanentes nos acessos e nos quatro bairros da comunidade, por meio dareativação de uma forma ancestral de organização, a ronda comunitária”, revelam.

Apesardo exemplo de luta e auto-organização, os indígenas não obtiveram resposta dogoverno, que se exime da responsabilidade. Com relação a isto, denunciam que osmembros do Grupo de Operações Especiais da Procuradoria de Justiça Estatal são"omissos” com relação aos madeireiros, atitude que consideram reprovável. "Apesarde ter sido levantada e acordada em várias minutas em reuniões entre indígenase autoridades, brilha por sua ausência a segurança pública solicitada”, reclamam.

Osindígenas deixam claro que não querem a presença do Exército mexicano ou daPolícia Federal Preventiva, pois acreditam que a ronda comunitária é um modomais interessante de defesa. Por outro lado, pedem que as forças policiaisvigiem alguns acessos, como a saída de Nahuatzen, onde têm visto ainda pessoasarmadas.

Ementrevista ao site Periodismo Humano, a viúva do indígena dirigente doComissariado Cultural, Tirso Madrigal, o primeiro assassinado pelos criminosos,cobra justiça e acusa o Estado de ser cúmplice dos madeireiros. "Parece que ogoverno está envolvido com o crime, senão, por que não nos ajudam?”, questiona.

Já oporta-voz dos indígenas, Salvador Campamur, enfatiza o sentido de conservaçãoambiental na luta em Cherán. "Isto não é uma demanda política ou econômica, vaimais além, de nossos bosques, de nossa mãe natureza depende nossa vida econtinuar vivendo em nosso território e vamos continuar defendendo-o até quevolte a normalidade”, declara.

Segundoos purépechas, o roubo da madeira teve início no ano de 2007, quando os madeireirosse aproveitaram de uma crise política na cidade, com as eleições para prefeito.

Apartir de então, o bosque foi invadido pelos madeireiros e também o crimeorganizado resolveu levar sua parte. Os bandos passaram a cobrar um valor sobrecada caminhão de madeira que sai do município e, em compensação, "protegem” os madeireirosna ação ilegal.

Após a destruição de grandeparte do bosque, surgiu mais um problema: o abacate. Agora, agronegociantesquerem arrendar as terras para cultivar a fruta, o que os indígenas nãoaceitam, pois consumirá muita água e não faz parte da flora do lugar.
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