LA PAZ, 9 AGO (ANSA) - Comunidades indígenas da Bolívia convocaram uma marcha para a próxima segunda-feira em La Paz para rechaçar o projeto de construção de uma estrada no Parque Nacional Isiboro Sécure.
De acordo com as comunidades, a rodovia provocará a "escravidão cultural" e a depredação da maior reserva florestal do país. Algumas organizações sociais, como a Central Trabalhista Boliviana (COB, na sigla em espanhol), analisam a possibilidade de apoiar o protesto.
A mobilização foi anunciada por porta-vozes da Confederação de Povos Indígenas o Oriente Boliviano (Cidob), logo após o organismo rechaçar uma chamada ao diálogo por parte do governo de Evo Morales.
O ministro da Presidência, Carlos Romero, convidou a Cidob para discutir o assunto hoje na cidade de Trinidad, a cerca de 700 quilômetros da capital. Segundo ele, o encontro não seria "vinculante" e serviria apenas para conhecer questões técnicas.
Adolfo Chávez, principal dirigente da Cidob, contestou o convite, dizendo que "não havia tempo" para que seus emissários viajassem até o município, localizado na região amazônica.
As comunidades indígenas recusam o projeto, que prevê a criação de uma estrada de 317 quilômetros que liga as regiões de Cochabamba e Beni e que cruzará de norte a sul a maior reserva florestal do país, cujos rios são uma importante fonte de água doce da América do Sul.
Os cerca de 90 mil índios yuracarés, moxeños, chimanes e trinitarios que moram no Parque Nacional e vivem da caça e da pesca temem que a estrada destrua suas culturas e seu habitat.
O diretor do Serviço Nacional de Áreas Protegidas, Adrián Nogales, concordou com esta hipótese, advertindo que a construção da estrada, "além de um dano ambiental, vai fazer um dano sócio-cultural". Organizações cívicas de Cochabamba e Beni também expressaram seu apoio à causa indígena.
O presidente da Bolívia, Evo Morales, no entanto, disse recentemente que a rodovia será construída "queiram ou não" os indígenas e que ela não será a única que cruzará a reserva.
O projeto da rodovia tem custo de US$410 milhões, dos quais US$350 milhões foram concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) do Brasil. A construção está a cargo da empreiteira brasileira OAS, que venceu a licitação em 2008. (ANSA)
INDÍGENAS ANUNCIAM MARCHA EM LA PAZ CONTRA CONSTRUÇÃO DE ESTRADA
Terça, 09 de Agosto de 2011 às 16:11, por: CdB