Em 2010, comparado com o ano anterior, o déficit da Previdência Social caiu 4,5%. Utilizada pela mídia - com toda lógica, reconheçamos - esta comparação com 2009 é péssima, já que é um ano ainda de rescaldo na saída do Brasil da grande crise econômico-financeira global, portanto, de menos empregos formais e, consequentemente, menor contribuição previdenciária dos trabalhadores.
Caiu, também, em 2010, se comparado a 2009, o percentual da dívida pública com relação ao PIB - de 42,8% para 40,4% no ano passado. Mas, a despeito destas quedas, a gritaria por cortes nos gastos correntes continua. O pretexto utilizado é o mesmo de sempre: a inflação, que continua dentro da meta, mas é usada como argumento para sustentar a tese de que precisamos de menos crescimento, particularmente do emprego e da renda.
A inflação é, assim, a arma que mais empunham na luta ideológica pela retomada da ortodoxia e do superávit fiscal. Ainda que nossa dívida pública seja uma das menores do mundo, querem porque querem um superávit fiscal puro e a volta do superávit das estatais, política pela qual investimento era considerado como dívida e gasto públicos.
Inflação de 2011 ficará dentro da meta
Como o governo muito corretamente considerou como parte do superávit o que recebeu pelas reservas do pré-sal, os depósitos judiciais, e retirou a Eletrobrás (do cálculo do superávit) eles não aceitam e gritam que o superávit foi menor, que houve manobras artificiais. E olha que já era tempo mesmo de livrar as estatais daquela regra absurda.
Conformem-se ou não, a realidade é outra. A inflação em 2011 ficará dentro da meta (4,5% com a banda de 2,0% para cima ou para baixo) - no máximo será de 5,5%. O câmbio ficará em R$ 1,75. E até o superávit, calculado pelo próprio mercado, será no mínimo de 2,8%, ou seja, 0,30% abaixo da meta.
Como vemos, um céu de brigadeiro se compararmos com os Estados Unidos, Europa, e Japão, por exemplo. E isso sem falar na Irlanda, Grécia, Portugal, Espanha e outros países, com quase todos esses percentuais nas alturas.